Portugal: Cáritas pede “novo impulso” na luta contra a pobreza

Foto: Cáritas Portuguesa

A Cáritas Portuguesa defende, no seu novo relatório sobre a pobreza no país, um maior “impulso” político, para acelerar o combate à exclusão social.

“É assim urgente um novo impulso na luta contra a pobreza e a exclusão em Portugal. A estratégia multidisciplinar inscrita na Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-30 é ambiciosa, mas os objetivos quantitativos para 2030 não serão alcançáveis com as atuais tendências”, assinala a 3.ª edição do relatório anual ‘Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Uma Visão da Cáritas – 2026’, que é apresentado hoje.

O documento, citado pela Agência Eclesia alerta que a evolução positiva de alguns indicadores esconde um agravamento das situações de exclusão mais profunda, sendo necessário maior compromisso para quebrar ciclos “estruturais”.

“A prevalência de situações extremas de exclusão é estruturalmente elevada”, indica o relatório.

Em 2025, de acordo com as estatísticas do INE, mais de 1 milhão de pessoas vivia em privação material e social, das quais cerca de 460 mil em “privação severa”.

Segundo a Cáritas, “muitas destas situações atingem o âmago dos direitos fundamentais de cada pessoa, impedindo a sua inserção plena na vida em sociedade”.

“Cerca de 200 mil pessoas não tinham capacidade económica para ter uma alimentação adequada, cerca de 600 mil não tinham capacidade para comprar roupa nova, quase 1 milhão não tinha meios para gastar uma pequena quantia consigo e mais de 1,6 milhões não conseguia manter a casa devidamente aquecida. Nos últimos anos, tem havido alguma evolução favorável nestes indicadores, mas demasiado lenta”, pode ler-se.

O estudo indica que, nalgumas dimensões de exclusão, se assiste a “um retrocesso nos últimos anos”, dando como exemplo o número de pessoas em situação de sem-abrigo, “que mais do que duplicou entre 2019 e 2024”.

A habitação continua a ser um dos eixos mais críticos identificados no documento: o preço mediano por metro quadrado das transações aumentou 74,3% entre o início de 2020 e o terceiro trimestre de 2025, um crescimento muito superior ao do rendimento disponível nominal das famílias, que foi de cerca de 45% no mesmo período.

O novo estudo dedica um capítulo à privação infantil, considerando a pobreza nas crianças “uma violação gritante dos direitos humanos fundamentais”.

A Cáritas alerta ainda para a perpetuação da pobreza entre gerações: 21,2% dos adultos que viveram uma situação financeira má na adolescência (aos 14 anos) vivem hoje em risco de pobreza, em contraste com os 12,2% daqueles que viveram numa família com outra situação financeira.

O documento ilustra ainda o trabalho da organização católica, como linha da frente no apoio aos mais vulneráveis.

Em 2025, a rede Cáritas em Portugal desenvolveu mais de 105 mil atendimentos, abrangendo apoio social, projetos de empregabilidade e a integração de migrantes e refugiados.

A apresentação do estudo, coordenado por Nuno Alves, do Observatório Cáritas, decorre hoje às 10h00, no espaço Atmosfera M, em Lisboa.

A Semana Nacional da Cáritas decorre até 8 de março sob o mote ‘O Amor que Transforma’.

(Com Ecclesia)

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