Papa desafia jovens e famílias a trabalhar em defesa da dignidade humana

Foto: Lusa/EPA

O Papa apelou hoje aos jovens e famílias da Guiné Equatorial para que sejam capazes de transformar as instituições e a sociedade, em defesa da “dignidade de cada ser humano”.

“Testemunhemos todos os dias que amar é belo, que as maiores alegrias, em todos os ambientes, provêm da capacidade de dar e de se doar, especialmente quando nos inclinamos perante quem mais precisa”, afirmou Leão XIV, no Estádio de Bata, perante uma multidão em festa, que enfrentou a forte chuva que se fez sentir no início do encontro.

O pontífice centrou o seu discurso na vitalidade das novas gerações e na urgência de proteger a vida e a dignidade humana.

“A luz da caridade, cultivada nos lares e vivida na fé, pode verdadeiramente transformar o mundo, inclusivamente nas suas estruturas e instituições, para que cada pessoa nele encontre respeito e ninguém seja esquecido”, referiu.

Leão XIV elogiou as tradições locais e os valores antigos do país, como “o serviço, a unidade, o acolhimento, a confiança, a festa”, apontando-os como a “herança luminosa” que deve alicerçar o futuro da nação.

“Aqui, a luz mais resplandecente é a dos vossos olhos, dos vossos rostos, do vosso sorriso, dos vossos cânticos, nos quais tudo é testemunho de que Cristo é alegria, sentido, inspiração e beleza para a nossa vida”, assinalou.

O Papa falou depois de testemunhos apresentados por vários dos participantes e, citando a jovem trabalhadora Alicia, vincou o sonho de uma sociedade em que a juventude não procure o “sucesso fácil”, mas opte “pela cultura do esforço, da disciplina e do trabalho bem feito”.

Neste contexto, Leão XIV alertou para o “desafio de ser mulher no mundo do trabalho”, sublinhando a “necessidade de promover sempre a dignidade de cada ser humano”.

A dimensão familiar e a defesa da vida marcaram a parte central do discurso, fortemente impulsionada pelo relato de Victor Antonio, um adolescente de 13 anos criado apenas pela mãe.

O Papa confessou que as palavras do jovem “caem como uma pedra “, encorajando a construção de um mundo “fundado no respeito pela vida que nasce e cresce, e no sentido de responsabilidade para com os mais frágeis”.

“Victor Antonio lembrou-nos que acolher a vida requer amor, empenho e cuidado, e estas palavras nos lábios de um adolescente devem levar-nos a refletir seriamente sobre o quão importante é tutelar e proteger a família e os valores que nela se aprendem.”

Dirigindo-se aos casais e às famílias, o Papa descreveu o matrimónio como uma “missão entusiasmante”, pedindo que protejam a união mesmo “quando julgamentos, preconceitos e estereótipos tentam diminuir o seu valor”.

“Uma família que sabe acolher e amar é luz, é calor”, declarou.

O pontífice encorajou ainda aqueles que sentem o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada, afirmando que “uma vida entregue a Deus é uma vida feliz”.

Antes da grande celebração no estádio, o programa do Papa na cidade costeira de Bata contemplou um momento de recolhimento no Memorial às Vítimas da Explosão de 7 de março de 2021.

Recebido pelo ministro delegado da Defesa Nacional, o pontífice depositou uma coroa de flores e rezou pelos 107 mortos e mais de 600 feridos.

No final da tarde, o Papa viajou de avião de regresso à capital da Guiné Equatorial.

A primeira visita apostólica do atual pontificado ao continente africano encerra-se esta quinta-feira, dia 23 de abril, com uma Missa no Estádio de Malabo, antes do voo de regresso a Roma.

A viagem internacional iniciou-se a 13 de abril, tendo passado pela Argélia, Camarões e Angola.

(Com Ecclesia)

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