“Salário justo” é um conceito que os governos devem adoptar na proteção dos trabalhadores

A opinião é expressa pelo sindicalista católico João Soares, membro  do SINERGIA (Sindicato independente dos trabalhadores do Sector energético) nos Açores, na sequência do chumbo do `pacote laboral´

Foto: João Soares, dirigente do SINERGIA Açores

João Soares, sindicalista, considera que um dos maiores desafios atuais em matéria laboral passa por alterar a forma como se encara a remuneração do trabalho. Em vez de centrar o debate político e económico no salário mínimo ou no salário médio, João Soares defende a adoção do conceito de salário justo.

“Na Europa começa-se cada vez mais a falar em salário justo. Não basta discutir valores mínimos. O trabalhador deve receber uma remuneração adequada ao trabalho que realiza, às suas responsabilidades e às necessidades de uma vida digna para si e para a sua família”, sustenta em declarações ao Sítio Igreja Açores na sequência do chumbo do parlamento do pacote laboral.

João Soares dirigente do SINERGIA (sindicato independente dos trabalhadores do sector energético) e membro de organizações sindicais europeias ligadas ao movimento sindical cristão, afirmou que a proposta colocava excessiva ênfase na competitividade económica e na lógica de mercado, relegando para segundo plano a dignidade da pessoa humana e a proteção da família.

“Felizmente, este pacote laboral não foi aprovado. Implicava muitas perdas para os trabalhadores, agravava a precariedade e enfraquecia direitos fundamentais ligados ao descanso, à vida familiar e à estabilidade laboral”, afirmou.

Segundo o responsável sindical, o conceito de salário justo está profundamente ligado à tradição da Doutrina Social da Igreja, que entende o trabalho como uma expressão da dignidade humana e não apenas como um fator de produção.

“O trabalhador não é um número nem um custo. É uma pessoa. E por detrás dessa pessoa existe uma família que depende do seu trabalho. Quando falamos de justiça salarial, falamos também de habitação, educação, saúde, estabilidade e futuro”, defende.

João Soares considera que muitas empresas continuam a avaliar o sucesso apenas através de indicadores económicos, esquecendo a dimensão humana das organizações. Na sua perspetiva, uma empresa sustentável assenta em dois pilares fundamentais: motivação e valorização dos trabalhadores.

“As empresas precisam de perceber que os bons resultados não dependem apenas dos números. Dependem de trabalhadores motivados, respeitados e justamente remunerados. Quando existe um salário justo e condições de trabalho dignas, toda a organização beneficia”, afirma.

O dirigente do SINERGIA nos Açores sublinha, ainda, que a preocupação com a justiça salarial não pode ser separada da defesa da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, nem da necessidade de garantir condições que permitam conciliar trabalho e vida familiar.

“Temos de voltar a colocar a pessoa no centro das políticas laborais. O trabalho deve servir o ser humano e a família. Nunca o contrário”, conclui João Soares, que é catequista em duas paróquias das ouvidorias de Ponta Delgada e Ribeira Grande- Matriz de São Sebastião e Pico da Pedra, respetivamente.

 

 

 

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