A noite mais longa das ouvidorias de Angra e Vila Franca do Campo atrai milhares

Marchas populares celebram São João

Quarenta e nove marchas na cidade de Angra e 16 em Vila Franca do Campo vão transformar a noite de São João, que se celebra hoje, num dos espectáculos de maior afluência popular à cidade património e à primeira capital da ilha de São Miguel. É, porventura, a noite popular mais longa destes dois lugares onde o São João é assinalado de forma mais efusiva na Diocese de Angra, com uma tradição de convívio e de comunhão difíceis de igualar.

Por detrás deste espírito festivo está São João Baptista, um dos santos mais populares da tradição cristã. Para além da sua festa litúrgica a 24 de junho, a Igreja recorda igualmente o seu martírio a 29 de agosto, uma distinção partilhada apenas com a Virgem Maria. Esta singularidade evidencia a relevância do precursor de Jesus na religiosidade popular.

“São João Batista é o precursor, aquele que anuncia a vinda do Messias”, explica Susana Goulart Costa, investigadora,  lembrando que o santo nasceu seis meses antes de Jesus e que a sua missão foi preparar espiritualmente o povo para a chegada de Cristo.

A ligação entre a dimensão religiosa e as tradições populares permanece visível nas celebrações dos santos populares. Embora muitos costumes tenham perdido parte do seu significado espiritual original, continuam a refletir valores associados à fertilidade, ao casamento, à renovação da vida e à coesão das comunidades.

Susana Goulart Costa, numa entrevista que pode ser ouvida em podcast, recorda ainda antigas tradições açorianas ligadas às chamadas “sortes de São João”, que incluíam rituais realizados por jovens solteiras na esperança de conhecer o futuro marido, bem como práticas relacionadas com a água, considerada símbolo de purificação e renovação.

Para a historiadora, o principal ensinamento deixado por São João Batista continua a ser atual: a defesa da verdade, da integridade e da coerência entre palavras e ações. Valores que, séculos depois, mantêm viva a ligação entre a figura do santo, a fé cristã e as celebrações populares que marcam o mês de junho nos Açores e em todo o país.

A tradicional Coroação das Sanjoaninas, em Angra do Heroísmo é, porventura, um dos momentos que une a Igreja aos festejos populares.  O momento solene alia a devoção ao Divino Espírito Santo às celebrações em honra de São João Baptista, padroeiro da cidade de Angra do Heroísmo, no próximo dia 28, às 11h00, na Igreja da Sé.

A jornada começa às 10h15, com a partida da coroação do Pátio da Alfândega, seguindo pela Rua Direita, Praça Velha e Rua da Sé em direção à Igreja da Sé, onde será celebrada a missa dominical com coroação, pelas 11h00.

Após a cerimónia religiosa, o cortejo, que integra a maioria dos impérios da ilha Terceira, prossegue rumo ao Império de São Bento, percorrendo a Rua da Sé, Praça Velha, Rua do Galo, Rua da Guarita e o Largo de São Bento, numa manifestação de fé e tradição profundamente enraizada na identidade terceirense.

 

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