
Leão XIV nomeou hoje D. Vitorino Soares, até agora auxiliar da Diocese do Porto, como bispo do Algarve, sucedendo a D. Manuel Quintas, informou a Nunciatura Apostólica em Portugal.
“Recebo a nomeação com muita alegria como uma boa notícia, ativado como uma boa nova, um Evangelho que chega à minha vida”, disse à Agência Ecclesia o novo responsável, sublinhando a total disponibilidade para acolher a realidade local sem ideias preconcebidas.
“Estou livre, estou a zeros, não estou dependente de ninguém”, acrescentou D. Vitorino Soares.
A nomeação do Papa Leão XIV coincide com o 41.º aniversário da ordenação sacerdotal do responsável católico, de 65 anos de idade.
O sucessor de D. Manuel Quintas encara a necessidade de descobrir a diocese como uma vantagem para iniciar a missão episcopal.
“Nunca fui procurar números, nem de padres, nem de religiosas, nem de paróquias para dizer que eu estava sereno e recolhido no meu canto, à espera daquilo que pudesse surgir. A partir daqui, agora sim, vou fazer esse caminho de descoberta, mas nunca me preocupou porque eu nunca procurei nada e, portanto, não estava à espera de nada”, admitiu D. Vitorino Soares, até agora auxiliar da Diocese do Porto.
Para o novo bispo do Algarve, a ausência de amarras permite uma maior dedicação à nova realidade.
“Quem não tem preconceitos, quem não tem conhecimentos, quem não está ligado a nada nem a ninguém está também mais livre”, constatou.
“A Igreja tem de ser à imagem de Jesus, que é ponto de encontro, que promove encontros com as pessoas, que vai ao encontro das pessoas ou então que se deixe encontrar por elas”, sustentou.
A promoção vocacional assume-se como outra das prioridades do novo bispo, para quem o tema deve deixar de ser “tabu” nas comunidades e escolas.
“Não temos tido capacidade para entusiasmar e acho que não é o Senhor que dorme, nós é que estamos adormecidos”, alertou o até agora reitor do Seminário Maior do Porto.
D. Vitorino Soares destaca ainda a importância de partilhar a “experiência” do seu antecessor, com mais de 20 anos de serviço à Diocese do Algarve.
Numa mensagem divulgada pela Diocese do Algarve e enviada à Agência ECCLESIA, o novo bispo destaca que este território “sempre se destacou pela pluralidade e pela comunhão. Manifesto a minha alegria em partilhar e gastar a vida convosco a partir de hoje, nos cansaços e nas energias, nos fracassos e nos sucessos, nos sonhos e nos projetos”.
“Convosco, sem vos conhecer .também já me sinto algarvio: ajudai-me a ser um dos vossos”, acrescenta D. Vitorino Soares.
“Como aconteceu com Jesus Cristo, que nunca se sentou à secretária para escrever o guião da sua vida, vamos todos escutar o Pai e descobrir em conjunto, com a ação do Espírito Santo, a sua vontade a respeito da diocese do Algarve, da sua igreja e de muitos que não estando rotulados com esta linguagem, também levam por diante o mesmo programa ‘ser felizes e lutar pela felicidade dos outros’, a partir de uma humanidade saudável, que promove vínculos e laços que nos fazem sentir em família, onde nos sentimos amados, perdoados e irmãos em permanente crescimento”, refere.
O Papa aceitou a renúncia apresentada por D. Manuel Quintas, que em 2024 tinha atingido o limite estabelecido pelo Direito Canónico (75 anos) para o exercício do cargo.
Natural da Diocese do Porto, D. Vitorino Soares nasceu em Penafiel, a 19 de outubro de 1960, foi ordenado sacerdote a 14 de julho de 1985 e é o mais velho de cinco irmãos, um dos quais também sacerdote.
A 17 de julho de 2019, o Papa Francisco nomeou-o bispo auxiliar do Porto, onde era também reitor do Seminário Maior; a ordenação episcopal, presidida por D. Manuel Linda, foi celebrada a 29 de setembro de 2019.
Na CEP, preside à Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios.
Como sacerdote da Diocese do Porto, D. Vitorino Soares trabalhou no Seminário do Bom Pastor, entre 1984 e 1987, e no Seminário Maior, entre 1989 e 1994; capelão militar de 1987 a 1989, o padre Vitorino dedicou 10 anos do seu trabalho pastoral aos jovens, sendo diretor do Secretariado Diocesano da Juventude entre 1989 1999.
Em 1994 assumiu a paróquia de Castelões de Cepeda, em Paredes, e em 1999 a de Madalena, na mesma vigararia.
A forte presença turística na região do Algarve foi classificada pelo responsável como um “privilégio”, capaz de enriquecer as comunidades católicas através da pluralidade de povos e culturas.