“As 23 Mulheres do Concílio”

No ano de 2012 foi publicado em Itália um livro com o título original «Madri del Concilio» de Adriana Valerio, historiadora e teóloga e que já foi presidente da Associação Feminina Europeia para a Investigação Teológica. Este livro foi traduzido para português pela Paulina Editoras com o título: «As 23 mulheres do Concílio» – a presença feminina no Vaticano II.

Logo no início a autora dedica o livro às mulheres para que não se calem na Igreja. Aos, homens, para que aprendam a ouvir as suas palavras e os seus silêncios.

Depois da Apresentação e do Preambulo há três pontos de reflexão. “Os desafios das mulheres”, “Um novo Pentecostes” e “As protagonistas religiosas” e as “As protagonistas leigas” ou seja, as religiosas e leigas que tendo ajudado o pré-concilio, participaram no Concílio: as 23 mulheres do Concilio e que promoveram o post-concílio também.

As protagonistas religiosas foram as seguintes: Mary Luke Tobin, Marie de la Croix Khouzam, Marie Henriette Ghanem, sabine de Valon, Juliana Thomas, Suzanne Guillemin, Cristina Estrada, Constantina (Laura) Baldinucci, Claudia (Anna) Feddish, Jerome Maria Chimy;

As protagonistas leigas por sua vez foram: Pilar Bellosillo, Rosemary Goldie, Marie-Louise Monnet, Anne-Marie Roeloffzen e Maria(Rie) Vendrik, Amalia Dematteis, Ida Marenghi-Marenco, Alda (Esmeralda)Miceli, Catherine McCarthy, Luz Maria Longoria Gama e José Álvarez Icaza Manero, Margarita Moyano Llerena, Gladys Parentelli, Gertrud Ehrle, Hedwig von Skoda.

Dentro das mulheres leigas peritas destaco a Professora Rosemary Goldie, natural da Austrália e que faleceu com 93 anos e a quem o Papa Bento XVI visitou quando lá foi.

Tive o prazer de a conhecer e de a ter como professora da disciplina de Leigos na Igreja, ela que era Vice-Presidente do Instituto de Teologia Pastoral da Pontífícia- Universidade Lateranense em Roma, onde estudei. Foi ela também a orientadora da minha Tese de Licenciatura com o tema “A originalidade da presença do Leigo Cristão no mundo”. Que grande cristã e professora! Também esteve na direção do Pontifício Concílio para os Leigos.

Este livro e estes factos fazem pensar que nos últimos sessenta anos cresceu muito o papel cristão das mulheres no mundo e na Igreja.

Para além das responsabilidades na dimensão social da fé, os leigos, mas agora refiro-me às mulheres, assumiram e estão a assumir papeis relevantes em todos os setores da Igreja: é que caminhamos cada vez mais para uma Igreja de batizados e de uma vivência ministerial fundamental.

Além disso, foram e estão a ser confiados ministérios instituídos às mulheres cristãs e espera-se o resultado da Comissão que o Papa Francisco criou para se saber se haverá no futuro o Diaconado Feminino.

Falar no presbiterado e no episcopado para as mulheres creio que será mais difícil, ou então para um futuro muito longínquo, embora haja Teólogos que afirmam que biblicamente não há obstáculos para o sacerdócio de mulheres.

Na atmosfera sinodal da nossa diocese temos de fazer crescer a promoção eclesial das mulheres que deverão ser algumas mesmo possuidoras de especializações sobretudo no campo de cursos acadêmicos em catequética, pastoral familiar e em ciências auxiliares da pastoral.

As paróquias, o Seminário (o bem que fizeram as religiosas quando estiveram nos nossos Seminários) e os movimentos eclesiais, para não falar no testemunho nos ambientes sócio-profissionais dos Açores, muito têm a receber das mulheres católicas.