Por Carmo Rodeia

Começa hoje mais um ano letivo nos Açores, sob o signo de um novo plano integrado de promoção do sucesso escolar, intitulado Pró sucesso, com metas a cinco e dez anos, que prevê um maior acompanhamento dos alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem desde o primeiro ciclo.

A medida parece interessante sobretudo se tivermos em conta que a taxa de abandono escolar precoce nos Açores se situa nos 32,8%, a mais elevada a nível nacional e que os resultados dos alunos açorianos ainda estão aquém da média nacional.

Por outro lado, esta terça feira ficámos a saber que Portugal é o país da OCDE com mais alunos com acesso a computadores e que os estudantes portugueses passam mais de seis horas por dia na internet.

Segundo o relatório “Students, Computers and Learning Connection”, que analisa o uso e acesso às tecnologias de informação e os resultados escolares obtidos por milhares de alunos de 31 países, Portugal surge em primeiro lugar neste ranking que compara a existência de computadores nas escolas mas, nem por isso, os alunos se destacam nos testes quando comparados com outros países com menos oferta.

Ao comparar os resultados nos testes de leitura, matemática e ciências e o acesso e utilização das tecnologias de informação, o relatório conclui que as escolas e professores ainda não estão a rentabilizar suficientemente estas tecnologias.

No inicio deste ano letivo seria interessante pensarmos como educamos nesta era digital, orientada para uma sociedade de conhecimento, mas cada vez mais individualista, sem valores para além da tecnologia.

O acesso à informação é cada vez maior, o estímulo ao conhecimento também, mas a verdade é que a educação é muito mais do que isso.

Nos Açores existem mais de 15 mil alunos inscritos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica. Uma disciplina como as outras mas em tudo diferente delas.

Os 45 minutos que fazem parte do programa curricular devem ser momentos de encontro, que cativem as crianças e os jovens pela simplicidade, sublinhando a importância da mensagem cristã como uma mais-valia para a felicidade.

E não há que ter medo das palavras: mensagem cristã.

Vivemos numa sociedade secularizada, onde muitos até achariam que esta disciplina deveria deixar de ser oferecida na escola pública, esquecendo que a componente religiosa é constitutiva da pessoa humana e sem a qual é dificil falar em educação integral.

É este o alcance cultural e o valor educativo de EMRC na formação de personalidades ricas de interioridade, dotadas de força moral e abertas aos valores da justiça, da solidariedade e da paz, capazes de usar bem a própria liberdade.

Mas isso porventura interessa pouco porque não se traduz em números e não é quantificável como o sucesso ou insucesso escolar.

Educar “é coisa do coração”, dizia São João Bosco. Há muito que nos esquecemos disso. Na família e na escola, como se a educação fosse um código que se cumpre e não uma relação que se estabelece.

Há uma frase no filme de Ingmar Bergman “Cenas da Vida Conjugal” onde a dada altura se diz: “aprendemos tantas coisas na vida, temos uma escolaridade cada vez mais dilatada no tempo, mas somos analfabetos emocionais”.

Se calhar é esta alfabetização que devemos procurar, para além das metas curriculares e de programas extensissimos onde alunos e professores só estão preocupados com resultados e pouco com valores.

A vida não pode ser só números…