O dever de votar é tão sério como o da prática religiosa, diz nota pastoral enviada às comunidades cristãs açorianas.

O Bispo de Angra apela ao voto dos açorianos e diz que o “dever de votar é tão sério como a prática religiosa, numa Nota Pastoral (Clique aqui para aceder »»») enviada a todo o clero diocesano a que o Portal da Diocese teve acesso esta segunda-feira.

 

As eleições europeias são tradicionalmente marcadas pela abstenção e este ano coincidem com o domingo do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a maior festa religiosa dos Açores.

 

Por isso, D. António de Sousa Braga, reiterando o que já foi pedido pelos Bispos portugueses, reforça o apelo ao voto.

 

“Sinto a obrigação de insistir, junto dos católicos açorianos, sobre o dever de votar, que é tão sério como a prática religiosa. A participação nas Festas do Senhor Santo Cristo não justifica a abstenção. Quem vive em S. Miguel ou no Concelho de Ponta Delgada terá de organizar a sua vida e a participação nas festas religiosas, de maneira que possa cumprir a grave obrigação de votar”, diz a Nota Pastoral.

 

Aliás, D. António de Sousa Braga exorta mesmo as pessoas que, estando impossibilitadas de o fazer de acordo com as regras legais, devem solicitar o voto antecipado.

 

“O devoto autêntico do Senhor Santo Cristo encontrará, ainda mais razões, para não deixar de votar. As eleições, em democracia, são um dos momentos altos de participação cívica. No caso concreto das eleições para o Parlamento Europeu, trata-se de escolher os que vão influenciar a orientação da Europa, nos próximos cinco anos”, frisa o prelado diocesano.

 

O responsável pela Igreja Católica nos Açores lembra que há políticos bons e outros menos bons e os católicos devem escolher “quem acredita numa Europa, cada vez mais unida e solidária, que coloca, acima de tudo, por um lado, a pessoa humana e a sua dignidade e, por outro, o bem comum, que é, por definição, o bem de todos e não deste ou daquele grupo”.

 

O prelado diocesano lembra que, hoje, o futuro da Europa passa pela sua refundação “urgente” conforme os “valores de origem, na linha do humanismo cristão”.

 

“Para harmonizar a dignidade da pessoa humana com a centralidade do bem comum, a Doutrina Social da Igreja apresenta dois princípios, que são determinantes para a vida em sociedade: a solidariedade e a subsidiariedade”, diz o Bispo de Angra.

 

D. António de Sousa Braga explicita os conceitos e sublinha que a solidariedade “significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade e supõe a criação de uma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns”.

 

D. António de Sousa Braga lembra, ainda, que a solidariedade pressupõe pôr em prática o principio da subsidiariedade .

 

“Isso implica a valorização dos Corpos Intermédios, como a Família. Por exemplo, no caso concreto da educação, a Doutrina Social da Igreja não aceita o monopólio do Estado, que só deveria intervir, de modo subsidiário, deixando às famílias e à sociedade civil o espaço de escolha e iniciativa”, adianta ainda o responsável pela igreja açoriana.

 

D. António de Sousa Braga acentua a importância de duas virtudes- a justiça e a caridade, muitas vezes confundidas “com caridadezinha por quem não compreende a ação da Igreja”.

 

Por fim, o prelado diocesano lembra o Concilio Vaticano II para reafirmar que “não pode haver amor sem justiça nem justiça sem caridade” e pede a “luz” do Espirito Santo para que os europeus saibam “acertar” nas escolhas e que os políticos “sejam mais solidários”.