Renuncia Quaresmal em Angra reverta a favor da comunidade do Capelo, na ilha do Faial, onde um incêndio no inicio do ano destruiu parte do templo

O bispo de Angra pede uma maior atenção e valorização da Palavra de Deus na mensagem dirigida aos diocesanos para esta Quaresma que se inicia no próximo dia 26, com a imposição das cinzas, celebrada em todas as igrejas da diocese.

D.João Lavrador lembra na Mensagem, inspirada no texto Romanos 12, “Deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus”, que só uma escuta atenta da Palavra, e dos sinais que dela emanam, “oferece uma consciencialização maior do ser e da missão de todos os baptizados”. O prelado diocesano esclarece mesmo que “quanto mais nos deixarmos envolver pela Palavra de Deus, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós”.

“Convido em cada comunidade cristã a definirem-se as diversas etapas que são sugeridas pela vivência de cada semana, como itinerário progressivo de conversão e de interiorização do mistério revelado em Jesus Cristo” refere D. João Lavrador propondo um itinerário próprio para este tempo “favorável”.

“A oração mais intensa e cuidada e o sacramento da reconciliação devem merecer a atenção privilegiada da comunidade cristã, de cada cristão e dos sacerdotes. Neste sentido, peço aos sacerdotes que, neste tempo, dediquem o máximo de esforço à formação das consciências pela proclamação da Palavra de Deus e se disponibilizem para atender todos aqueles que se abeirem do sacramento da reconciliação” afirma o prelado.

Para o bispo insular, a “violência que invade a nossa sociedade” ; “a cultura da vida e do individualismo atrofiante que se projecta na cultura da morte; no emaranhado de um progresso que sem Deus se volta contra o homem criando guetos de exclusão”, sendo sinais “dramáticos”, não podem “levar-nos a perder a esperança”.

Por isso, apela à conversão de crentes e não crentes, para que as mentes “sejam renovadas” e se opere uma “transformação pessoal e social”.

“Este é o tempo favorável para a conversão. Esta expressão que se reveste de estranheza para a mentalidade actual mas tão necessária para quem queira viver na verdade acerca da pessoa e do mundo em que vive” de forma a que a vida “seja mais humana, mais fraterna, atenda mais à justiça e à paz, estabelecendo relações de integração dos excluídos, de partilha e de valorização da dignidade da pessoa e do bem comum”.

O bispo apela ainda, como é hábito, especialmente neste período do ano, à generosidade dos diocesanos de forma a que se possa viver este tempo de “mudança de mentalidade e de conformidade com a vontade de Deus”, o que passará por “limitar o consumo e a viver no essencial para uma vida digna”, colocando a proteção do ambiente e a adoção de estilos de vida saudáveis, na primeira linha de atuação.

A renúncia quaresmal deste ano reverterá a favor da reconstrução da Igreja do Capelo, na ilha do Faial.

“Na nossa diocese, sentimos a dor e comungamos com o sofrimento dos nossos irmãos do Capelo, Ilha do Faial, pelo nefasto incêndio que devorou a sua Igreja com riquíssimo património. Tendo em conta o sentir dos diocesanos, determino que o resultado da renúncia quaresmal se destine à comunidade do Capelo para ajudar na recuperação da sua Igreja Paroquial. Que todos sejamos generosos nesta partilha com os nossos irmãos”, afirma o prelado.

A Quaresma começa na próxima quarta feira dia 26 de fevereiro, dia de imposição das cinzas e termina antes da Missa do lava-pés , na  Quinta-feira Santa.

Neste período, em especial, a igreja recomenda aos cristãos que se dediquem à reflexão e a conversão espiritual.