D.João Lavrador presidiu à missa na Sé de Angra em domingo de Pentecostes, um dos domingos mais importantes do calendário cristão nos Açores

Só cristãos comprometidos e abertos à ação do Espírito podem lutar contra “os egoísmos e individualismos propostos no mundo”, afirmou este domingo o bispo de Angra na homilia da Missa da Solenidade de Pentecostes, celebrada na Sé.

D.João Lavrador desafiou os diocesanos a deixarem-se contagiar pela ação do Espírito Santo, tal como os apóstolos, para que, ao fazerem a experiência do amor divino, possam contagiar o mundo.

“Temos de ter a verdadeira consciência sobre o que nos identifica: não somos uma religião de lei, de norma ou de rito, uma religião de preceito. Nós somos verdadeiramente uma Igreja que faz a experiência do amor porque seguimos a Jesus Cristo que nos revela o Deus Amor e, por isso, pela ação do Espírito seremos arautos de uma nova humanidade, de uma nova criação”, afirmou o prelado diocesano.

“A Igreja não é a totalidade da ação do Espírito que está em todo o mundo, mas temos de ser sinal” enfatizou ao sublinhar que cada comunidade cristã tem de ser “mais para o mundo” através “de acções concretas”.

“Nós não somos um grupo que se reúne, somos comunidade, na diversidade e convidados a ser testemunho para que quem olhe para nós veja um sinal do amor de Deus, em todo o mundo” destacou.

“O Espírito geme e sofre no mundo para o transformar e a comunidade cristã não é dispensável porque é ela que ilumina, que orienta, que dirige” afirmou ainda lembrando que o dever principal da comunidade é servir.

“Quero deixar este desafio à nossa diocese que ainda revela alguma reserva em se abrir à participação de todos: ninguém pode estar dispensado de servir, mas este serviço tem de ser a partir da comunidade eucarística”, afirmou.

Por isso, afirmou por outro lado, “ é que fizemos este convite à caminhada sinodal: que cada um se sinta membro participante, que cada um possa contribuir, que ninguém se sinta excluído ou se sinta à margem”.

D.João lavrador deixou mesmo uma interpelação direta aos diocesanos no sentido de aproveitarem esta caminhada sinodal como uma “oportunidade”.

“Não percamos esta hora que é a hora do Espírito de Deus e que é tão abençoada pela Espírito Santo”, disse.

“Esta diocese que tem em cada crente, em cada pessoa e em cada cidadão uma devoção especial ao Espírito Santo, tem de caminhar; temos de ser mais lúcidos, temos de saber bem quem é esta pessoa divina do Espírito Santo e do que ela implica em cada um de nós”, frisou.

“A Igreja não pode ser de outro modo: a Igreja tem de ter um rosto sinodal com todos a caminhar, com todos a participar, sem que ninguém se demita das suas responsabilidades recebidas pelo batismo, com a diversidade de dons que o Espírito do amor nos dá”.

“Só na Igreja e a partir da Igreja se pode fazer a unidade na diversidade e este é o nosso contributo para o mundo. Temos de ser capazes de o fazer e de o dar.

Este dia interpela-nos a receber os dons do Espírito Santo”, concluiu.

Este ano as festas do Espírito Santo foram canceladas, pelo menos naquilo que é o seu formato habitual. Ainda assim, algumas irmandades mantiveram algumas das atividades que habitualmente caracterizam esta festa, nomeadamente as esmolas, que se materializam na partilha do pão, da carne e do vinho. Outras participaram em missas de acção de graças.

A devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é uma das marcas identitárias do ADN açoriano. De tal forma que o Dia da região Autónoma dos Açores é a segunda-feira de Pentecostes. Este ano as celebrações oficiais que são organizadas em conjunto pelo Governo Regional e pela Assembleia Legislativa dos Açores decorrerão pela Internet com o discurso do Presidente do Governo regional a partir do Palácio de Santana, em Ponta Delgada e da Presidente do Parlamento açoriano, a partir da Horta, terminando com a entoação do Hino dos Açores por um coro.