Arcebispo bracarense destaca importância do título para a candidatura do monumento a património da humanidade

O Santuário do Bom Jesus de Braga vai no dia 5 de julho elevado à categoria de “basílica menor”, adiantou a arquidiocese local em conferência de imprensa.

Segundo o arcebispo bracarense, D. Jorge Ortiga, a proclamação solene da elevação do monumento minhoto será feita durante uma eucaristia solene às 11h00 e é vista como um importante “contributo da Santa Sé” para a candidatura daquele templo, que todos os anos recebe cerca de um milhão de visitantes, a património da humanidade.

“A Igreja, agora declarada Basílica para além de Santuário, é, e deverá tornar-se ainda mais, um verdadeiro livro aberto, capaz de ser entendido por bracarenses e turistas provenientes de variadíssimas paragens, sobre a Bondade de Jesus, Bom Jesus”, sustentou o prelado, na sua intervenção, enviada hoje à Agência ECCLESIA.

Sobre a desejada elevação do santuário a património da humanidade, D. Jorge Ortiga frisou que não se trata “só de uma questão burocrática”, está em causa um compromisso que deve ser assumido por toda a comunidade minhota.

“Ninguém pode eximir-se a identificar-se com a causa, desde as entidades estatais, camarárias, a todos os bracarenses”, apontou.

O arcebispo de Braga lembrou também que “o culto” ao Santuário do Bom Jesus “não é um elemento acidental, meramente conservador de tradições”.

“Tem a responsabilidade de explicar o que deu origem a todo este enquadramento que era meramente natural. A fé dos antepassados tem de estimular a fé hoje”, sustentou.

 

O título de basílica é concedido pela Santa Sé a algumas igrejas pela sua antiguidade ou por serem centros de devoção e de peregrinações.

Atualmente, o Santuário do Bom Jesus de Braga está a ser alvo de obras de limpeza e requalificação, e tem servido também de anfitrião a várias iniciativas, desde concertos a uma conferência internacional intitulada “Vozes e contributos para o Bom Jesus a património mundial”.

A candidatura do Santuário do Bom Jesus a património da humanidade, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), foi apresentada em janeiro de 2014.

D. Jorge Ortiga fez votos de que com a envolvência de toda a arquidiocese “o Bom Jesus se torne um lugar encantador capaz de seduzir portugueses e estrangeiros que gostem de passar por aqui mas sobretudo apreciem estar aqui”.

“Estar aqui em atitude de intuir a bondade e beleza de Alguém poderá ajudar a construir um mundo melhor porque alicerçado num relacionamento entre as pessoas mais autêntico e fraterno”, complementou.

A candidatura a ‘obra-prima da natureza humana’ conta com o apoio do Município de Braga.

O conjunto arquitetónico do Bom Jesus do Monte é considerado um ‘ex-líbris’ da cidade de Braga; em 1373 já existia uma ermida dedicada à Santa Cruz.

O atual templo que remata o escadório, com as Capelas e Passos da Paixão, foi concluído em setembro em 1811, substituindo um antigo templo barroco que vinha do tempo de D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728).

O Bom Jesus viria a transformar-se num destino de romagens, no Minho e também no resto do país.

CR/Ecclesia