Finalização do processo desencadeado pelo Bispo de Angra tomar em consideração sugestões do Clero

O Clero da ilha de São Miguel foi convidado pelo Bispo de Angra a pronunciar-se sobre o nome ou nomes a escolher para o desempenho das funções de Vigário Episcopal, num processo que decorre do fim da provisão do atual Vigário, Pe Cipriano Pacheco, no final deste verão.

O processo de consulta iniciou-se antes da realização da Assembleia do Clero, que se realizou na passada quarta feira, dia 10 de junho, “e por isso deve prosseguir sem que isso signifique que o Senhor Bispo tenha de proceder à nomeação imediata”, disse ao Sítio Igreja Açores este sábado o Porta Voz da Diocese, Cónego Hélder Fonseca Mendes.

Em causa está um pedido de “interrupção da consulta” por parte da Assembleia do Clero micaelense que num “memorando” enviado a D. António de Sousa Braga, a que o Sítio Igreja Açores teve acesso, “recomenda que não seja nomeado, para já, um novo Vigário Episcopal, mas que seja escolhido um coordenador de entre os ouvidores, para assumir provisoriamente as funções do Vigário Episcopal, até ser ultrapassado este período de transição”.

De acordo com o memorando, os sacerdotes, presentes na Assembleia, “entendem que seja o novo Bispo a nomear o próximo Vigário Episcopal de São Miguel”. Aliás, “tendo presente o cenário de transição que estamos a viver, esta Assembleia recomenda que haja uma maior prudência nas novas nomeações”, conclui o memorando enviado ao Bispo de Angra.

“O nosso entendimento é que a consulta prossiga uma vez que foi iniciada; que cada um se pronuncie e que o Senhor Bispo decida como entender melhor, mas também devo dizer que esta escolha não implica obrigatoriamente uma nomeação imediata” diz o Porta Voz lembrando, aliás, que pode ser “necessária uma segunda volta” e o mais natural é que o prelado “guarde o resultado da consulta para entregar ao seu sucessor”. Uma decisão que de resto está “concertada” com o atual Vigário Episcopal, Pe Cipriano Pacheco que termina as funções no final deste ano pastoral. Se até lá não existir uma situação nova “as atribuições serão desempenhadas por um dos oito ouvidores que existem na ilha, que será designado entre pares para o efeito”, esclareceu o Vigário Episcopal ao Sítio Igreja Açores, “o que também não constitui uma novidade”.

Já a proposta do Clero da Terceira, no sentido de ser adiado o Conselho Pastoral Diocesano, o principal orgão de consulta do prelado junto dos leigos, “vai ser ponderada mas parece-me que só por motivos de saúde do D. António ou por vontade dele deverá ser adiado”, esclarece o Porta Voz.

“Não faz sentido adiarmos este conselho de leigos a não ser por motivos de saúde do Senhor Bispo ou por impedimento dele. Ele está em funções, não pediu a resignação e até 15 de março de 2016, altura em que completa 75 anos,  é o Bispo de Angra e mesmo depois disso, não deixará de o ser no dia seguinte, mesmo que já cá esteja um bispo coadjutor”, sublinha, ainda, o Porta Voz da diocese.

As duas assembleias do Clero realizadas em São Miguel e na Terceira na passada quarta feira, serviram essencialmente para analisar o ano pastoral que termina no final deste mês.

Na ilha Terceira o ouvidor lembra que este ano serviu essencialmente “para tomar consciência das periferias existentes nos Açores” mas “lamentavelmente não se fez muito em concreto”.

“Estamos mais livres e mais disponíveis para ir ao encontro destas periferiais, sejam materiais ou existenciais, mas demos poucos passos concretos nesse sentido”, esclarece o Cónego António Henrique Pereira lembrando que o salto de uma pastoral de manutenção para uma pastoral de missão- o desafio proposto para este ano pastoral- “só se conseguirá se realisticamente os padres, em primeiro lugar, e os leigos, em segundo estiverem todos empenhados e a remar para o mesmo lado”.

Do lado de São Miguel, para além de um diagnóstico que aponta para algumas falhas como a “falta de unidade e coordenação pastoral entre as Ouvidorias”; “a ausência de uma Pastoral Litúrgica orgânica e regular, ou seja, da evangelização da religiosidade «oficial» da Igreja” ou a “falta de acompanhamento adequado dos movimentos eclesiais” fica um conjunto de propostas que passa pela formação de “uma equipa permanente da Vigararia Episcopal de São Miguel”, constituída por ministros ordenados e leigos, e  a criação de um “Serviço Diocesano do Divino Espírito Santo, que apoie, sem controlar, as irmandades e os agentes de pastoral na preparação e na realização das Festas do Espírito Santo, mediante subsídios formativos, litúrgicos, paralitúrgicos e pastorais”.

Além disso o Clero micaelense propõe a criação de “uma Comissão Diocesana de Nomeações”, composta de sacerdotes e especialistas nas ciências humanas e teológicas (psicologia, sociologia, teologia, pastoral…), que “estude os perfis das Paróquias, dos Serviços, dos Padres e Diáconos, para apoiar o Bispo Diocesano” , de forma a que, “mediante a apresentação das vagas e a realização de candidaturas, os processos das colocações sejam efectuados de forma mais justa e serena”.