Bispo de Angra pediu aos cónegos para prosseguirem o seu trabalho de evangelização em contexto pastoral

O Cabido Catedralício da Sé de Angra assinalou o seu quinto aniversário com uma celebração eucarística na Catedral este domingo. D. João Lavrador, que presidiu à concelebração, desafiou os cónegos, “zeladores dos canônes” a prosseguirem o trabalho “inestimável” na evangelização e na ação pastoral da diocese.

“Quero manifestar a minha estima por todos vós e por esta instituição, dado o seu passado, o seu presente e aquilo que continua a ser na diocese, que é inestimável. Aos cónegos dão-se várias tarefas, que extravasam o contexto do Cabido, nomeadamente no contexto da pastoral. Que Nossa Senhora vos proteja e vos ilumine nessa tarefa de evangelização”, disse o bispo de Angra no final da celebração, esta tarde, na Sé de Angra, durante a qual se festejou antecipadamente a festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Durante a homilia e, centrado na liturgia deste domingo, o prelado diocesano sublinhou a importância das comunidades cristãs, e de todos os batizados, em particular serem “Luz e sabor” ao jeito de Jesus, sobretudo numa sociedade que privilegia o individualismo e deixa para trás os mais fracos.

“É pelas boas obras que seremos essa luz para os outros. Só seremos sabor e luz para o mundo se formos capazes de prosseguir a obra de Deus, através do amor e da misericórdia, da ternura, da justiça e na partilha que manifestarmos aos irmãos” disse D. João Lavrador frisando que não é isoladamente, “egoisticamente centrado na sua vida, isolado na sua autorreferencialidade que conseguimos ser esta luz e este sabor para o mundo. Só em comunidade nos tornamos sabor para o mundo”.

O bispo diocesano destacou que a Igreja deve ser testemunha efetiva da generosidade, da ternura e do amor de Deus. E, para isso, os cristãos, “não se podem esconder”.

“Somos luz quando nas nossas vidas conseguimos levar o amor de Deus”, disse ainda, lembrando que esta luz `se diz´ por atos e não apenas por palavras.

O bispo de Angra terminou a homilia com uma referência a Nossa Senhora de Lourdes, que tal como Jesus se manifestou “nos pequenos e nos humildes” e que, por isso, “é referência” e “modelo” para todos os cristãos.

No final da celebração o Deão do Cabido, cónego Ângelo Valadão, agradeceu a todos os presentes por terem participado nesta eucaristia de ação de graças.

O Cabido da Sé foi restabelecido por D. António de Sousa Braga, em fevereiro de 2015, 15 anos após a sua desativação. Durante esse período o prelado diocesano não nomeou qualquer cónego, tendo promovido uma reformulação dos Estatutos, que permitiu entre outras coisas, a nomeação de cónegos capitulares residentes fora da ilha Terceira.

No novo estatuto o Cabido que, até então tinha apenas a função litúrgica, retomou a função do Conselho de Ordens e Ministérios. É, também, um órgão de consulta do prelado diocesano em todas as matérias que este entender auscultar os seus membros, mantendo-se, no entanto em funções o Colégio de Consultores.

No decreto Episcopal, que retomou o Cabido Catedralício, D. António de Sousa Braga justificou o novo estatuto com uma “necessidade de o adaptar às circunstâncias atuais”, julgando “conveniente restabelecer um número razoável de membros do Cabido” atribuindo-lhes “as funções litúrgicas e demais competências previstas no direito canónico”.

(Com André Furtado)