Por Renato Moura

Esta semana foi-nos recordada a carta que S. Paulo escreveu aos coríntios, a propósito dos carismas. O Papa Francisco já teve oportunidade de vincar o carisma como “uma graça, um dom dispensado por Deus por intermédio da acção do Espírito Santo, para que seja colocado ao serviço de todos”.

A generosidade de Deus permitiu que cada um de nós recebesse um ou mais dons, que a comunidade tem o dever de nos ajudar a reconhecer. Gratos a Deus pelos talentos recebidos, temos o dever de os colocar ao serviço da Igreja, da resposta aos problemas humanos e visando a realização do bem comum.

Todos, por mais humildes que possam parecer, receberam talentos diferentes, de tal modo que a diversidade abre os caminhos para a complementaridade, que por sua vez garante a eficácia. Condição é que por maior que seja o dom, ele é uma dádiva que Deus confiou para render, nunca para engendrar presunção. Também os dons de uns não poderão germinar a inveja de outros.

Quem tem o dom da sabedoria, deve partilhar e ensinar. Quem tem o dom da iniciativa, tem o encargo de propor e incentivar. Quem tem o dom de empreender, tem o dever de criar e gerar emprego. Quem tiver capacidade de atingir o sucesso empresarial, deve pagar generosamente aos trabalhadores que ajudaram a criar a riqueza; e saber que melhor do que o número de horas é o volume de trabalho. Quem tem o dom de chefiar, deve saber repartir responsabilidades.  Quem teve talento para realizar objectivos, tem obrigação de partilhar o sucesso com quem colaborou na concretização.

Quem tem o dom de falar, jamais pode “não querer dizer”. Quem tem o dom da palavra, nunca a deveria utilizar para confundir. Quem tem o palco, jamais pode abusar do silêncio forçoso da plateia. Quem tem o talento para exercer actividade política, nunca deveria utilizar a demagogia e aproveitar do populismo, mesmo que em período de campanha eleitoral e ainda que com o objectivo de angariar votos. Quem está no exercício de actividade política ou aspira vir a estar, com talento, ou ainda que sem ele, não pode esquecer os princípios, a justiça e a lei.

Quem tem o dever de informar ou esclarecer, jamais poderá procurar impor a resposta que desejaria. Quem tem o dom de escrever, nunca poderá obscurecer.  Quem o talento de convencer, jamais deveria levar ao engano.

Os fins nunca justificam os meios.

Os carismas não deverão ser usados para interesse de quem os recebeu. Quem tem talentos deve pô-los ao serviço do bem colectivo com sinceridade, verdade, persistência e coragem.