“Convocatória” de Roma interpela igrejas locais a refletir sobre a perspetiva sinodal da Igreja

D. João Lavrador, vai presidir, hoje, às 18h00, na Sé de Angra, à abertura do processo sinodal diocesano.

O Papa Francisco convida as dioceses a cumprir a primeira etapa do Sínodo Geral da Igreja (Sínodo dos Bispos) que terá a sua sessão final em outubro de 2023, subordinado ao seguinte tema – “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”.

Este processo sinodal terá lugar entre outubro de 2021 e outubro de 2023 e procura questionar a Igreja sobre a sua sinodalidade, um tema decisivo para a sua ação e missão.

A auscultação das Igrejas locais é uma etapa inédita, desenhada pelo Papa Francisco, que pediu a cada bispo que replicasse a celebração de abertura que decorreu no Vaticano, a 9 e 10 de outubro, com uma cerimónia diocesana.

A Santa Sé pediu ainda que cada diocese tenha “uma pessoa ou uma equipa de contacto para liderar a fase local de escuta”.

As respostas recolhidas podem ser enviadas para Roma e devem ser entregues à respetiva Conferência Episcopal até abril de 2022, para uma síntese nacional.

O Vaticano explica, no guia prático (vademécum) distribuído em todo o mundo que “a finalidade da primeira fase do caminho sinodal é favorecer um amplo processo de consulta”, com atenção à “voz dos pobres e dos excluídos, não somente daqueles que desempenham alguma função ou responsabilidade” na própria Igreja.

Os responsáveis diocesanos são chamados a “tentar o máximo de inclusão e participação, chegando ao maior número de pessoas possível, e especialmente às que se encontram na periferia e que, muitas vezes, são excluídas e esquecidas”.

Apesar de se sublinhar a importância de integrar o processo em cada diocese, “qualquer grupo ou indivíduo” que não tenha oportunidade de o fazer a nível local pode enviar os seus contributos diretamente para a Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos.

“É importante que os batizados escutem a voz de outras pessoas do seu contexto local, incluindo pessoas que abandonaram a prática da fé, pessoas de outras tradições de fé, pessoas sem crença religiosa, etc.”, acrescenta o manual deste processo.A Secretaria-Geral do Sínodo sublinha que o Papa Francisco “está a convidar todos os batizados a participar neste processo sinodal, que começa a nível diocesano”, pedindo especial atenção às “mulheres, pessoas com deficiência, refugiados, migrantes, idosos, pessoas que vivem na pobreza, católicos que raramente ou nunca praticam a sua fé” e as novas gerações.

Segundo a Santa Sé, mais do que “simplesmente responder a um questionário”, a fase diocesana destina-se a “oferecer ao maior número possível de pessoas uma verdadeira experiência sinodal de se escutarem umas às outras e de caminharem em conjunto, guiadas pelo Espírito Santo”.

Um Roteiro em 10 passos para a fase diocesana do Sínodo

  1. Nomeação da(s) Pessoa(s) de Contacto da Diocese
  2. Criação de uma Equipa Sinodal Diocesana
  3. Discernir o caminho para a sua diocese
  4. Planeamento do processo participativo
  5. Preparação dos coordenadores dos grupos para as reuniões da consulta sinodal
  6. Disponibilizar um seminário de orientação para a Equipa Sinodal Diocesana e coordenadores locais
  7. Comunicar a todos
  8. Implementar, monitorizar e orientar o processo de consulta sinodal
  9. Reunião Diocesana Pré-Sinodal
  10. Preparação e apresentação da síntese diocesana

A diocese insular já se encontra a fazer uma caminhada sinodal há três anos, intitulada “A beleza de caminharmos juntos em Cristo”. No primeiro ano, os diocesanos foram convidados a auscultar a situação económica, social e eclesial do arquipélago, a partir de três temas: A Igreja e os rumos da cultura hoje, a situação social e económica dos Açores e a identidade religiosa e eclesial no arquipélago.

Para dar continuidade a esta caminhada sinodal, no segundo ano (2020), profundamente marcado pela pandemia, foram indicadas cinco prioridades de reflexão: “Igreja Evangelizadora; Igreja em permanente Diálogo com o mundo; Igreja Comunitária e participativa em todos os seus membros; Igreja Integradora, com os pobres, que escuta o grito dos que sofrem e Igreja Missionária”.

No terceiro ano, que agora será articulado com o processo sinodal em curso em toda a Igreja no mundo, pretende-se centrar a discussão na “reedificação do tecido eclesial” das comunidades, depois das “dificuldades do tempo de pandemia”.

“Apesar dos tempos de pandemia que tanto sofrimento e dificuldades trouxeram à vida pastoral das nossas paróquias, vamos, com redobrado esforço, com todos os responsáveis cristãos das nossas paróquias, reedificar o tecido eclesial das nossas comunidades e avançar na reflexão dos temas que nos são propostos para este ano: a Igreja missionária e a Igreja Pobre com os Pobres”, escrevia D. João Lavrador, na nota introdutória do documento que contém as orientações diocesanas para o ano 2021/2022.

O texto defende “uma participação ativa e consciente na missão da Igreja”, por parte de todos os católicos.

“Se a única missão da Igreja é Evangelizar, então, sabemos que esta tarefa singular e única compete a todos os membros do Povo de Deus”, assinala o responsável católico.

O então bispo de Angra recordava a “caminhada sinodal” que a diocese encetou há três anos e que, nos próximos meses, vai incorporar a dinâmica proposta pelo Papa Francisco para o Sínodo 2023, por uma “Igreja sinodal, comunhão, participação e missão”.

“Certamente reconhecemos que esta proposta do Santo Padre não dessintoniza com a nossa reflexão de caminhada sinodal, mas nos ajuda e alenta a caminhar neste objetivo a que nos propomos de edificar nas comunidades cristãs uma forma de ser em sinodalidade”, indica D. João Lavrador.

documento com as orientações diocesanas apresenta o programa pastoral diocesano para o próximo ano; o programa do 3.º ano da caminhada sinodal; os temas para esta caminhada; uma reflexão sobre a Jornada Mundial da Juventude; o guião para uma pastoral social paroquial; o calendário diocesano; uma oração pela caminhada sinodal e o calendário geral .

(Com Lusa e Ecclesia)