Louvor ao Santíssimo Sacramento marca o início da Quaresma nesta paróquia de Ponta Delgada

A Paróquia de Nossa Senhora das Neves da Relva, na ouvidoria de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel vai este fim-de-semana celebrar solenemente o “Sagrado Lausperene”, uma tradição muito antiga, que nesta freguesia sempre se realizou nos primeiros sábado e domingo da Quaresma, informa uma nota enviada ao Sítio Igreja Açores.

Às 10h00 de sábado realiza-se a procissão solene do Santíssimo Sacramento da sua capela, para a capela-mor, com entrada triunfal para o trono, ficando em exposição até à meia noite. Durante a manhã e tarde, até às 17h00, a adoração será animada hora a hora pelas crianças e adolescentes da Catequese. Às 18h00 celebra-se a eucaristia, seguindo-se a adoração até à meia-noite, sendo que a última hora será assegurada pelo pároco, Cónego José Medeiros Constância Eucaristia.

No domingo dia 22, realiza-se a exposição do Santíssimo entre as 10h00 e as 17h45, animada por vários grupos locais, de entre os quais se destacam o Grupo de crianças e adolescentes do Movimento Eucarístico (Adoradoras do Santíssimo Sacramento); Grupo de idosos; Ministros Extraordinários da Comunhão e Rancho de Romeiros da Paróquia. Às 17h45, haverá a bênção solene do Santíssimo Sacramento, seguindo-se a Eucaristia solene do primeiro Domingo da Quaresma e da Paz, com sermão e encerramento do Sagrado Lausperene.

Esta devoção foi instituída pelo arcebispo de Lisboa D. Luís de Sousa, que faleceu em 1702.

Lausperene (do latim laus perene, «louvor perene») é a designação dada na Igreja Católica Romana à exposição continuada do Santíssimo Sacramento da Eucaristia (hóstia consagrada) à adoração dos fiéis.

O Lausperene tem geralmente a duração de 40 horas, em memória do período que o corpo de Jesus Cristo passou no túmulo até à ressurreição, mas pode ocorrer por períodos mais longos e data, segundo se afirma, do ano de 1556.

“Esta solenidade de culto, segundo reza a história terá sido vivida primeiro de forma monástica e introduzida em Portugal pelos religiosos do mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, cuja ordem (a de S. Bernardo) passou por diferentes vicissitudes, sendo restabelecida e regularizada, em 1672, por frei António Brandão, geral da mesma ordem e ilustrado continuador da Monarchia Lusitana” , adianta a nota enviada pela paróquia da Relva.

Coube ao Cardeal D. Luís de Sousa, arcebispo de Lisboa, a instituição desta devoção, depois de solicitar da sede apostólica, no tempo da regência do príncipe D. Pedro, o privilégio da exposição permanente do Santíssimo Sacramento nas igrejas de Lisboa, como se praticava em Roma.

No ano de 1682, o papa Inocêncio XI, concedeu a bula do jubileu do Lausperene, pela qual este pontífice permitiu que as “igrejas da mesma cidade recebessem, por todo o círculo do ano, o Sagrado Lausperene, começando a sua distribuição pela sé Patriarcal no primeiro domingo do Advento e no domingo de Pentecostes, e concedeu indulgência plenária aos fiéis que verdadeiramente contritos, arrependidos, confessados e comungados, orassem nas igrejas designadas diante do Senhor Sacramentado”, prossegue a nota.

Desde essa época, sem interrupção, tem-se conservado sempre em Lisboa esta manifestação da Igreja Católica.

A maior parte das igrejas aproveita para as suas solenidades os dias em que, por escala, lhe cabe receber o Lausperene.

Na Relva, no concelho de Ponta Delgada, a paróquia de Nossa Senhora das Neves recebe-o este fim de semana.