“A quem hoje se torna irmão da Ordem Terceira do Carmo quero dizer que é uma chama que se acende.”- Monsenhor António Manuel Saldanha

A Festa de Nossa Senhora do Carmo voltou a reunir dezenas de fiéis na igreja do Carmo, na Horta, numa celebração marcada pela entrada de cinco novas irmãs na Ordem Terceira do Carmo. Após a profissão de fé, receberam o escapulário, sinal visível da sua consagração e compromisso com a espiritualidade carmelita.
Na Eucaristia, presidida pelo reitor do convento, Monsenhor António Manuel Saldanha, foi sublinhada a importância histórica e espiritual deste templo, único nos Açores dedicado a Nossa Senhora do Carmo.
“Se há uma razão para sermos orgulhosos de termos nascido nesta cidade da Horta e nos chamarmos faialenses, é por esta igreja ser a única casa, o único convento dedicado a Nossa Senhora do Carmo nos Açores”, afirmou.
O sacerdote recordou ainda que aquele património nasceu da dedicação do povo faialense.
“Esta igreja foi construída com o trabalho, a esmola e o suor dos nossos antepassados. Cada pedra, cada altar foi vontade de cada faialense. E esta igreja, ao continuar a ser o que é, cumpre a sua função, dizendo a quem chega que somos católicos.”
Dirigindo-se às cinco novas irmãs da Ordem Terceira, Monsenhor António Manuel Saldanha, que presidiu a esta festa pela primeira vez na qualidade de reitor, deixou uma mensagem de incentivo: “A quem hoje se torna irmão da Ordem Terceira do Carmo quero dizer que é uma chama que se acende.”
Na sua intervenção, evocou ainda a riqueza da espiritualidade carmelita, recordando figuras como Santa Teresa de Ávila e Santa Teresinha do Menino Jesus, a quem chamou a “aristocracia espiritual da Igreja”.
A homilia foi proferida pelo padre Rui Silva, que centrou a reflexão na figura de Maria como caminho seguro para Cristo e no significado do escapulário, recebido pelas novas irmãs.
“O escapulário é o reflexo de um coração agradecido”, afirmou, explicando que este não representa apenas um símbolo exterior, mas um compromisso de vida cristã.
Ao longo da pregação, em tom de oração dirigida a Nossa Senhora do Carmo, pediu humildade, coragem e perseverança, desafiando os fiéis a nunca perderem a esperança.
“Quando passamos por dificuldades, quando passamos por aquelas situações de dor profunda, seja por doença, por morte ou por outra causa qualquer, ela está sempre lá.”
Reconhecendo que “todos nós temos problemas”, lembrou que a fé oferece uma certeza: “Não estamos sozinhos, porque temos Deus connosco. Mesmo quando tudo parece difícil e se nos abre o chão, quando na nossa vida tudo parece correr mal, talvez estejamos nos braços de Maria como aquele filho.”
O sacerdote convidou ainda os presentes a uma profunda reflexão interior.
“Façamos uma radiografia interior para ver quem amamos verdadeiramente.” E, lançou um desafio aos cristãos de hoje, alertando para o perigo de uma vivência da fé cada vez mais superficial.
“Hoje o mundo cristão vive num limbo, numa fé sem prática, sem missa dominical, sem uma adesão clara e consciente a Jesus Cristo. Jesus Cristo é facilmente substituível por tantas coisas.”
Para o padre Rui Silva, pároco no Rosário da Lagoa, o verdadeiro testemunho passa por viver sem medo a fé cristã.
“Tenhamos a coragem, como Maria, de apresentar ao mundo esse Menino, levá-lo a todos, mesmo aos não crentes e aos indiferentes.”
Terminou pedindo a Nossa Senhora do Carmo que opere “o grande milagre de fazer Jesus presente na vida de cada um” e que ensine os cristãos a olhar o próximo como irmão, “sem nunca deixar ninguém para trás”.
Depois da Eucaristia realizou-se uma procissão em volta da Igreja, onde já participaram entre outros, as novas irmãs.
A devoção a Nossa Senhora do Carmo tem origem na Ordem Carmelita, inspirada no profeta Elias, no Monte Carmelo, e está associada, segundo a tradição, à aparição da Virgem a São Simão Stock, em 1251, quando lhe entregou o escapulário. Celebrada a 16 de julho, a festa continua a ser um dos momentos mais marcantes da vida religiosa da ilha do Faial, preservando uma herança espiritual que encontra na igreja do Carmo um testemunho único no arquipélago.






