Organização católica pede envolvimento de todos

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), apelou hoje, “a um mês de eleições” legislativas, ao diálogo para, “nas diferenças que são próprias da democracia”, se falar “de ideias, projetos e propostas sem se pôr em causa as pessoas”.
“Urge uma política sã, que não se contenta em administrar o existente ‘com remendos ou soluções rápidas’, mas se presta, como forma eminente de amor pelo outro, à busca de projetos compartilhados e sustentáveis”, defendeu, em comunicado, a CNJP, órgão dependente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Para este órgão, “abrir um diálogo sério entre as gerações sobre a falta de perspetivas laborais dignas, a ameaça constante do desemprego, as cidades que escorraçam as pessoas para as periferias, as implicações do acentuado envelhecimento da população, o baixíssimo número de nascimentos como se estivéssemos em estado de guerra” é uma necessidade.
A Comissão Nacional Justiça e Paz alerta, no documento hoje divulgado, que se vive “uma sofreguidão de valorização dos jovens (…), deixando aos mais velhos um sentimento de inutilidade, de peso social, abrindo caminho para processos de suicídio e eutanásia”.
“Urge uma mudança de rumo diante ‘da atual crise ética e socioambiental’ para se encontrarem verdadeiras respostas dialogadas entre o mundo do trabalho e o mundo da educação”, acrescenta.
Neste comunicado, que tem por base a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, que se assinala no próximo dia 01 de janeiro, o órgão presidido por Pedro Vaz Patto, considera que “não faltam diálogos construtivos entre as nações, mas a paz não depende apenas das nações, depende também das ações, opções e corações dentro das (…) portas lusas através de um diálogo transparente ao nível político, económico e social, como ‘empenho compartilhado’”.
“Percebemos que a população portuguesa continua a concentrar-se nos centros urbanos, nomeadamente nos maiores, onde são visíveis em todas as gerações muitas pessoas juntas e sozinhas atacadas pela solidão e pelo isolamento, agravados ainda mais pela crise pandémica. Mas não faltam expressões ricas de gestos (e não palavras) solidários, de generosidade desmedida, de testemunhos que poderiam ser escritos como os “atos dos apóstolos” do nosso tempo. Dá-los a conhecer é também um contributo para o diálogo entre as gerações” exorta a CNJP.
No documento, é ainda deixado um lamento quanto ao setor da educação, que segundo o pontífice, é um “fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento”.
“Não é difícil perceber quanto a educação tem sido vítima das crises económicas, financeiras, sociais e culturais, onde os orçamentos educativos são sempre esmifrados, não se percebendo que são geradores de mais desigualdades. Continua a olhar-se a educação como uma despesa e não como um investimento”, considera a CNPJ, defendendo que “o investimento na educação deve implicar um maior empenho na escola inclusiva capaz de abraçar um grau de flexibilidade que permita diversificar as respostas tendo em vista o sucesso de todos sem comprometer a exigência”.
Para este órgão dependente da CEP, “ao falar-se de educação, esta não deve abranger apenas a exclusividade do Estado, mas permitir que outras respostas possam ser tidas em conta de forma verdadeiramente livre para todos, sem complexos”.
A mensagem da CNJP aborda ainda o setor do trabalho, para sublinhar que “o trabalho deve ser remunerado de forma justa e não depender de artimanhas legais que o tornam precário”.
Um aspeto do trabalho “que assume um papel cada vez mais relevante no nosso país é a necessidade do trabalho dos imigrantes, mão de obra quase sempre mais barata, vivendo ‘em condições muito precárias para eles mesmos e suas famílias, expostos a várias formas de escravidão e desprovidos dum sistema de previdência que os proteja’”.
“Talvez bastasse termos presente a Regra de Ouro comum a todas as religiões: ‘Faz aos outros o que gostarias que fizessem a ti’, e veríamos florescer o trabalho digno”, continua a CNJP, que advoga ainda que “o papel da política não pode ser relegado a uma realidade que anda a reboque de interesses menos nobres, mas que seja um verdadeiro e generoso serviço capaz de garantir os elementares direitos de todos”.
(Com Lusa)