Tríduo preparatório da festa de Santo Amaro começa esta quinta feira e a pregação está a cargo do recém ordenado sacerdote Pedro Aguiar

Realiza-se entre 3 e 6 de setembro a festa de Santo Amaro, na freguesia de Ponta Delgada, concelho de Santa Cruz das Flores, informa uma nota enviada ao Sítio Igreja Açores esta quinta feira.

O triduo da festa será pregado pelo recém ordenado sacerdote Pedro Aguiar que, de resto, vai estar nos próximos tempos integrado na equipa in solidum na ouvidoria da ilha mais ocidental do arquipélago. No domingo presidirá à Eucaristia e procissão solenes o também recem ordenado Pe Eurico Caetano.

Trata-se da terceira maior festa de verão da ilha, a seguir à Senhora dos Milagres (Lajedo) e à Senhora dos Remédios (Fajãzinha).

Santo Amaro é a maior devoção da freguesia e tem a festa com maior expressão no calendário religioso da paróquia, muito embora São Pedro seja o padroeiro.

A memória litúrgica deste Santo Abade, sucessor de S. Bento, celebra-se a 15 de Janeiro. Contudo, o primeiro domingo de Setembro foi escolhido pela freguesia, desde tempos imemoriais, devido à existência de maior número de oblatas a oferecer à Igreja, por já se terem realizado as colheitas.

Hoje, é a festa que reúne maior número de oblatas em massa sovada, ex-votos em forma humana ou de animal, ofertados por fiéis de toda a ilha em cumprimento de promessas.

Reza a história que no século XVII, um homem no lugar do Rolo, viu uma imagem a dar à costa e apercebendo-se do que era levou-a consigo até à igreja paroquial de Ponta Delgada, lugar onde residia. Deu conhecimento aos locais mas no outro dia, quando foram ver a imagem ela tinha voltado ao sítio onde foi encontrada sem que ninguém a tivesse levado.

Novamente a trouxeram para a igreja, e a deslocação da imagem repetiu-se. A contragosto entenderam que isso era um sinal de que o Santo queria ficar naquele lugar e logo começaram a construir uma ermida, o que foi feito com muito esforço. Santo Amaro, vendo a boa vontade das pessoas, deu-lhes uma ajudinha e fez nascer uma fonte mesmo ali, de onde a água começou a jorrar em abundância. Passado algum tempo a ermida estava pronta e lá puseram Santo Amaro. Com o tempo a ermida começou a degradar-se e acabou por ruir e Santo Amaro foi levado para a Igreja Paroquial de Ponta Delgada, onde continuou a ser homenageado com uma festa no primeiro domingo de Setembro.

Ali acorriam muitos romeiros, que tinham de sair de casa pelas duas horas da madrugada para virem a pé, com as suas ofertas de bonecos de massa à cabeça ou às costas.

Mesmo sem ermida todos os anos se fazia a festa naquele lugar que se passou a chamar Santo Amaro e à fonte, Fonte de Santo Amaro.

(Com a colaboração de Jacob Vasconcelos)