Milhares de portugueses participaram em inquérito promovido pela Santa Sé com vista à preparação do Sínodo da Família em Outubro deste ano.

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse hoje à Agência ECCLESIA que milhares de portugueses responderam ao inquérito para a preparação do próximo Sínodo dos Bispos e que um resumo das respostas foi enviado para o Vaticano.

 

“Largos milhares de portugueses responderam a este inquérito, basta ver por exemplo que só o Patriarcado de Lisboa recebeu mais de 13 mil respostas pela internet”, informou o padre Manuel Morujão.

 

Esta grande adesão foi encarada pela CEP como “uma surpresa positiva” visto que chegou mesmo a pessoas não ligadas à Igreja “mas que acharam que tratar da família era algo importante e quiseram por isso dar o seu contributo para que a Igreja tivesse o acolhimento e a ajuda que as famílias precisam.”

 

“Todas as respostas tiveram um acolhimento positivo, mesmo as que sugeriram propostas que não são coincidentes com a prática atual da Igreja”, avançou o porta-voz da CEP.

 

As propostas foram resumidas e enviadas para o Vaticano e vão na linha de “uma maior compreensão para os casos difíceis da família como os recasados, os casais homossexuais, o acolhimento dos filhos de famílias que são irregulares e que não devem sofrer o preconceito no que diz respeito a uma educação cristã”, precisa padre Manuel Morujão.

 

Este trabalho preparatório é considerado muito importante pelo porta-voz da CEP porque vai dar aos participantes no sínodo “uma base de realismo para que falem das famílias reais que existem e não propriamente de sonhos idealistas”.

 

“É um dever da Igreja ser fiel a Cristo e ser fiel ao Evangelho mas também ser fiel aos homens e às mulheres de hoje e concretamente às famílias de hoje”, acrescentou.

 

“Cristo era alguém muito exigente mas também extremamente compreensivo e há relatos da sua atenção pastoral para casos que eram marginalizados pela sociedade do seu tempo” como por exemplo “situações de adultério, de exclusão social por más famas, pecadores e doentes contagiosos eram excluídos da sociedade e Cristo era um modelo de inclusão e de atendimento de cada caso”, sublinhou o sacerdote jesuíta.

 

O documento enviado “em finais de janeiro para o Vaticano” consiste em “resumos dos resumos que por sua vez as dioceses e alguns movimentos já tinham feito”, sendo que “em grande parte as respostas são coincidentes o que simplificou o trabalho feito”, explicou o porta-voz da CEP.

 

“O resumo, feito por 3 pessoas, tem perto de 300 páginas A4 e tem como anexos alguns dos resumos que as dioceses enviaram”, um pedido que o secretariado-geral do sínodo fez às conferências episcopais de todo o mundo.

 

O Sínodo dos Bispos dedicado ao tema da família vai ter duas assembleias gerais, uma extraordinária em outubro de 2014 e outra ordinária em outubro de 2015.

 

O documento preparatório da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao tema ‘Desafios Pastorais da Família no contexto da Evangelização’, foi divulgado pela Santa Sé no dia 5 de outubro de 2013 e está disponível desde então para leitura e download no site da ECCLESIA.

 

Recordo que a Diocese de Angra foi uma das primeiras dioceses a enviar o resumo da participação dos católicos açorianos nestes trabalhos preparatórios do Sínodo.

 

O contributo da Igreja Açoriana para o documento da Conferência Episcopal Portuguesa refletia a posição de oito ouvidorias de cinco ilhas (São Miguel, Terceira, Santa Maria, Flores e Corvo) e do Serviço Diocesano para a Pastoral da Família e Laicado, cujo contributo “foi muito válido por representar a posição dos vários movimentos da Igreja ligados à família”.

 

O documento com 40 páginas, fazia a síntese das respostas que os cristãos açorianos de forma “realista deram”, com “contributos muito válidos” quer no que respeita ao diagnóstico quer no que respeita à resposta que a Igreja deve dar aos novos problemas que se colocam à pastoral da família.

 

“As respostas às nove perguntas traduzem um enorme realismo e, sobretudo, um conhecimento das realidades que se colocam às famílias nos Açores, revelando uma grande consonância com a doutrina católica sem esquecer as novas realidades concretas”, disse ao Portal da Diocese o Vigário Geral, Pe Hélder Fonseca Mendes, membro do Secretariado Permanente do Conselho Pastoral Diocesano que redigiu a síntese final com a posição da Diocese de Angra.