Pároco da Povoação organizou mais celebrações “para que todos possam participar em segurança”

O padre João ponte disse este sábado ao Igreja Açores que organizou as celebrações da Povoação de forma a que “todos possam participar” nesta festa tão emblemática do Concelho “mas que o façam em segurança e de forma organizada”.

“Sabemos que não há possibilidade de todos se deslocarem por causa da pandemia, mas a presença do ouvidor na celebração às 18h00 no Dia de Corpo de Deus é simbolicamente um sinal de unidade de todas as comunidades nesta data festiva” afirma em declarações ao programa de Rádio Igreja Açores que vai para o ar este domingo depois do meio-dia no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores.

A Povoação é o único concelho açoriano que associa o seu feriado municipal ao Dia de Corpo de Deus e a festa é concelhia envolvendo sempre uma grande articulação entre a Igreja e a Câmara Municipal.

“Na sexta-feira, dia do feriado municipal haverá uma celebração de ação de graças às 12h00”, referiu ainda o sacerdote.

A Festa do Corpo de Deus nesta ouvidoria começa com um tríduo preparatório que se inicia esta segunda feira. De olhos postos em Maria “como uma mulher eucarística”, os povoacenses iniciam a preparação com a possibilidade de celebrarem o sacramento da Reconciliação diariamente e a visita aos doentes, com Jesus sacramentado. A missa do tríduo preparatório é sempre às 18h30. Na terça-feira, estarão em destaque os mártires da Igreja e na quarta-feira haverá já um momento de adoração do Santíssimo Sacramento.

No dia de Corpo de Deus serão celebradas três Missas: às 10h30 e 18h00; a missão às 12h30 será apenas para as crianças que vão celebrar a sua Primeira Comunhão e familiares chegados.

“Vamos fazer tudo com muita cautela e prudência” para respeitar as regras sanitárias em vigor, adiantou ainda o padre João Ponte.

Habitualmente esta festa é celebrada na rua com uma procissão marcada por tapetes de flores naturais e uma decoração muito significativa de todas as casas.

A Solenidade do Corpo de Deus é vivida de forma muito intensa nos Açores. Na esmagadora maioria das paróquias é o dia principal da Primeira Comunhão que este ano ficará adiada para muitas crianças da catequese.

Desde o século XII, quase não há em Portugal cidade ou lugar que prescinda da celebração da festa do Corpo de Deus, invocadora do “triunfo do amor de Cristo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia” .

No Pico as solenidades do Corpo de Deus realizam-se nas quatro Igrejas Matriz da Ouvidoria (Madalena, Lajes, São Roque e São Mateus) e ainda na Paróquia de Santa Bárbara das Ribeiras.

Também na Horta a Festa do Corpo de Deus faz convergir muitos fiéis para o centro da cidade mais atlântica do arquipélago.

A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como “Corpo de Deus”, começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade de Liège, na actual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula “Transiturus”, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.

Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento.

Terá chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente a uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa. Em alguns países, no entanto, a solenidade é celebrada no Domingo seguinte.

Em 1311 e em 1317 foi novamente recomendada pelo Concílio de Vienne (França) e pelo Papa João XXII, respectivamente. Nos primeiros séculos, a Eucaristia era adorada publicamente, mas só durante o tempo da missa e da comunhão. A conservação da hóstia consagrada fora prevista, originalmente, para levar a comunhão aos doentes e ausentes.

Só durante a Idade Média se regista, no Ocidente, um culto dirigido mais deliberadamente à presença eucarística, dando maior relevo à Adoração. No século XII é introduzido um novo rito na celebração da Missa: a elevação da hóstia consagrada, no momento da consagração. No século XIII, a Adoração da hóstia desenvolve-se fora da Missa e aumenta a afluência popular à procissão do Santíssimo Sacramento. A procissão do Corpo e Sangue de Cristo é, neste contexto, a última da série, mas com o passar dos anos tornou-se a mais importante.

Do desejo primitivo de “ver a hóstia” passou-se para uma festa da realeza de Cristo, na “Christianitas” medieval, em que a presença do Senhor bendiz a cidade e os homens.

Nos séculos XVI e XVII, a resposta às negações do movimento protestante que se expressou na fé e na cultura – arte, literatura e folclore – contribuiu para avivar e tornar significativas muitas das expressões da piedade popular para com a Eucaristia.

A “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, tendo praticamente desaparecido a festa litúrgica do “Preciosíssimo Sangue”, a 1 de Julho.

A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que “onde, a juízo do Bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo” (cân 944, §1). Este ano, por causa das determinações da autoridade de saúde não se poderão realizar quaisquer procissões.