Por Renato Moura

Acredita-se que viajar de avião é rápido e que a bagagem nos acompanha. Mas na última quinzena de Dezembro isso foi mentira na SATA, com malas que levaram dias a chegar. Uma carta com uns gramas de papel, enviado por “Expresso” dos CTT (com custo de mais de 20 euros), de Lisboa às Flores demorou mais de quinze dias. Nem os modernos sistemas informáticos permitiram, em ambos os casos, saber onde paravam!

Ano Novo é geralmente oportunidade para tomar resoluções inovadoras, motivo para reforçar esperanças na concretização de projectos pessoais. Algumas não são exclusivamente nossas, pois que também nos arrimamos em expectativas que nos induziram. Por vezes estamos queimados de decepções, mas nem assim temos emenda.

Os políticos, nesta quadra festiva, são campeões na criação de expectativas. Escolhem locais e cenários para dourar as esperanças. Procuraram, por exemplo, convencer-nos que é desta que o Serviço Nacional de Saúde vai recuperar e cumprir! Estabelecem, mesmo sem que isso dependa de quem diz, quais são as prioridades para 2020!

Realidade é que o salário mínimo subiu mesmo e bem se justificava, mas não é a chave da felicidade, pois que continua a ser muito baixo. Procura-se dar a imagem de que se apoiou na concertação, mas não foi. Há demasiadas associações e empresários, frequentemente sem buscar melhoria da gestão empresarial, a considerar que as subidas são sempre demasiado altas, esquecendo que sem trabalhadores minimamente realizados, não há boas empresas. Mas sem elas também não há desenvolvimento económico. E há sindicatos que só reivindicam, sem fazer esforço para formar os trabalhadores e lhes fazer perceber que sem melhorar a produtividade não é fácil exigir aumentos.

E o ruído da subida do salário mínimo servirá para esconder do foco, mas não para corrigir, a injustiça dos salários médios!

Propalou-se, com pompa e circunstância, a subida dos salários na função pública, elevando-a a marco histórico. Feitas as contas tratar-se-á de aumentos ridículos. Quem se deu ao cuidado de fazer contas já demonstrou que, em muitos casos, o benefício líquido poderá ser inferior a dois euros por mês!

Criam-nos a imagem de prosperidade. Mas os números provam que há um alto endividamento das famílias, que resulta naturalmente do baixo poder de compra, que é uma realidade crua e dura. Foi divulgado e importa ter presente, que as poupanças dos portugueses estão no valor mais baixo desde 1961.

Há que não perder a esperança nem a coragem, mas discernir e ponderar, com os pés assentes no chão.