Por Renato Moura

Este período antes de eleições está a ser diferente do habitual. Diariamente debates entre os líderes dos maiores partidos. Debates de variados estilos. Alguns com conteúdo político, outros com temas controversos; bastantes com discussões serenas, demasiados com estilo agressivo.

As estações de televisão atribuem mais tempo aos comentadores, do que foi utilizado pelos intervenientes nos debates. Eles são inúmeros e variados os requintes. Há uns preocupados em destrinçar os conteúdos e distinguir as diferenças, há alguns que se ficam pela valorização da forma e de pormenores insignificantes.

Quem gosta de futebol está farto de observar como o mesmo jogo acaba sendo visto de formas diferentes, até inversas, consoante as paixões clubísticas dos comentadores. Tenta-se, com frequência, apagar o mérito da táctica e da prestação desportiva, realçando manobras do adversário ou erros de arbitragem.

Os painéis de comentadores políticos fazem-me lembrar os do futebol. Perante o mesmo debate há uns a verem a vitória absoluta de um e outros precisamente o inverso. Quando tivemos a oportunidade de ver o debate e ouvimos os comentários, chega a parecer estar a comentar-se um debate diferente. Está a notar-se, quase sem excepções, uma dificuldade intransponível de os comentadores se despirem da sua opção partidária. Sim, embora se esperasse um esforço de isenção, na verdade eles podem não ter filiação partidária, mas também escolhem e votarão.

Outro problema a inquinar a informação é a tendência para fazer crer estar-se só a escolher quem vai governar e se com maioria absoluta ou não. Voto útil é também haver representação no Parlamento de forças políticas minoritárias, pois mesmo sem fazerem parte das soluções de governo, levam a aprofundar discussões, obrigam a ponderar e justificar posições das maiorias. Atenção: com este modelo, na realidade estaremos a eleger desconhecidos deputados em cada círculo eleitoral, perante a imposição como amostras, dos líderes dos partidos!

Outro dia dei comigo a tentar recordar quem seriam os actuais deputados dos Açores na Assembleia da República; e creiam, não o consegui de imediato. Tomara ser apenas eu; mas também foi igual para pessoas a quem de rompante lancei o desafio. É um mau sinal não se terem feito notar ao longo de dois anos!

Não se fiem nos comentadores. Revejam os debates, mas eles não definem tudo. Descortinem as intenções de antes e agora. Leiam os programas. Vão pela vossa cabeça e consciência.

Os cristãos juntam à obrigação cívica o dever moral.