Bispo de Angra presidiu ao Encontro Ibérico de responsáveis pela comunicação social, que está a decorrer até hoje na Maia

A igreja tem de ter a capacidade de escutar os jovens, dizem os responsáveis pela comunicação social das Comissões Episcopais das Comunicações Sociais, que estão reunidos na Maia, no Encontro anual.

A psicóloga Leticia Soberón Mainero, do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, criado pelo Papa Francisco, convidada como conferencista para este Encontro, disse à agência Ecclesia que a relação da Igreja Católica com os mais novos exige a capacidade de os “escutar”.

“Temos de migrar do nosso egocentrismo, da nossa forma de entender, para colocar-nos ao serviço, à escuta das pessoas”, referiu a especialista, conferencista convidada no encontro ibérico das Comissões Episcopais das Comunicações Sociais 2018, com o tema ‘Os jovens e comunicação’.

A iniciativa que termina hoje, na cidade da Maia, Diocese do Porto, tem como tema ‘A Igreja Católica e os jovens: entre a relação pessoal e a comunicação institucional’.

Para a consultora do antigo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que integra a equipa do novo organismo da Santa Sé para este setor, é necessário transmitir a mensagem com “novas formas, novas categorias, novas linguagens”.

“É preciso adaptar tudo isso, colocando-os no lugar das pessoas que vão consumir, elaborar e processar a mensagem”, assinalou.

Uma das formas “indispensáveis” para essa comunicação, acrescentou, é colocar os próprios jovens a produzir conteúdos.

Falando da sua experiência na Santa Sé, Leticia Soberón referiu-se a um ambiente “rediárquico”, no qual a hierarquia é indiscutível, mas “convive com maior proximidade” na internet.

“É uma presidência na comunhão, a internet não anula a hierarquia, mas muda o seu modo de exercício”, explicou.

Para a especialista, o próximo Sínodo dos Bispos sobre os jovens, em outubro, é uma oportunidade “estupenda”, desejando que abra o caminho para que todas as novas gerações tenham o seu espaço para falar “à sua maneira”.

“Têm muito a dizer-nos”, concluiu.

Os bispos católicos de Portugal e Espanha que acompanham o setor das Comunicações Sociais ouviram ainda Joaquim Freitas, chefe-nacional adjunto do Corpo Nacional de Escutas (CNE), que sublinhou à Agência Ecclesia a necessidade de um “exercício de confiança” nos mais novos, acreditado que “são responsáveis o suficiente” para produzir e partilhar conteúdos.

Os jovens, observou, devem ser “atores no exercício de comunicação” na Igreja Católica, a quem compete formar com conhecimentos e competências, para que façam melhor, criando neles uma “consciência” na capacidade da tecnologia, que não é boa ou má em si mesma.

“A tecnologia está cá para nos servir tão bem quanto ela nos puder servir”, precisou.

Joaquim Freitas realçou a importância de encontrar a capacidade de fazer com que a mensagem cristã não se perca “nem no ruído nem na complexidade da linguagem”.

O conferencista aludiu à experiência da equipa de comunicação no último acampamento nacional do CNE representou uma “bela lição”.

“O jovem é o ser que é capaz, melhor do que ninguém, de comunicar com outro jovem”, sustentou.

Em declarações à Rádio Renascença, D. João Lavrador afirma que há uma urgência em rever a forma como se comunica: “Ou nós nos abrimos para essa linguagem ou então o fosso vai tornar-se maior e a incompreensão por parte dos jovens vai tornar-se maior. Deixemos os jovens tomar protagonismo, abramos as portas das comunidades para que eles estejam dentro. A partir daí, eu penso que tudo se pode alterar.”

O presidente da Comissão Episcopal afirmou que “o jovem não compreende o que nós lhe dizemos” e que, “quando alguém não compreende afasta-se, porque não lhe diz nada”.

Para o bispo, o desafio foi também lançado aos mais novos, que “têm de se abrir a formas mais profundas de comunicação”, isto porque “a informação passa pelas redes, mas a interioridade tem de passar por outros meios”, sublinha.

A comparação da atualidade é feita com o Novo Testamento. D. João Lavrador afirma que “Jesus usou parábolas do seu tempo para fazer entender as pessoas do seu evangelho. Não falou teoricamente, falou de situações vitais e falou através daquilo que era a compreensão das pessoas”.

A Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais de Portugal é constituída por D. João Lavrador, D. Amândio Tomás, D. Pio Alves e D. Nuno Brás.

O secretário desta comissão é Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia; o padre Américo Aguiar é o diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

 

(Com Rádio renascença e Agência Ecclesia)