O cardeal D. José Tolentino Mendonça encerrou hoje as celebrações do ‘Ano Laudato Si’ na Universidade Católica Portuguesa (UCP), destacando a importância de assumir as propostas da encíclica ecológica e social do Papa, com “novos paradigmas”.

“É um texto marcante do nosso presente, mas é um texto que nos obriga a uma deslocação em vista de um futuro novo, de encontro de novos paradigmas, de novos modelos, de desenvolvimento, de pensamento, da nossa sociedade, dos nossos estilos de vida e do contributo que podemos dar para a passagem do mundo presente, atual, às gerações futuras”, disse o bibliotecário e arquivista da Santa Sé.

Numa intervenção com transmissão online, D. José Tolentino Mendonça desejou que se possa “agarrar” a encíclica de 2015 e que os cristãos façam um processo de “conversão, de confronto, de reflexão, de oração, de espiritualidade”, que inspire, na universidade, escolhas educativas e de investigação.

“Do assumir com responsabilidade o desafio da ‘Laudato Si’ depende o futuro de nós todos”, afirmou o cardeal português.

D. José Tolentino Mendonça selecionou sete palavras que são “chaves na arquitetura do discurso do Papa”, considerando que a sua encíclica sobre a ecologia integral é “um dos textos que marcará este século XXI e o futuro, o destino do ser humano e o destino da casa comum”.

“O discurso sobre o futuro é inscrito profundamente nestas páginas”, referiu.

Segundo o cardeal português, Francisco apresenta uma “nova síntese da Teologia católica face à problemática ecológica”, procurando contribuir para “uma mudança de mentalidade que é política, que é religiosa e que é social”.

“Muitas vezes ouvem-se críticas como se a’ Laudato Si’ ou o discurso de uma conversão ecológica nos desviasse daquela que é a missão fundamental da Igreja – o anúncio do Evangelho -, ou daquele que é o discurso religioso no seu âmago, mas isso não é verdade”, desenvolveu, salientando que a palavra “conversão” aparece 13 vezes na encíclica.

O cardeal português salientou que ‘casa comum’ é “outro termo axial”, bem como a ‘ecologia integral’, nomeada 37 vezes.

A reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, falou no início da sessão, lembrando que o Vaticano vai lançar esta terça-feira plataforma com “propostas de vida sustentáveis”, esperando que seja aplicada em todas as instituições católicas.

“Há cerca de um mês, a Universidade fez aprovar o novo plano de desenvolvimento estratégico, intitulado ‘O valor dos valores, a criar futuro no presente’, e que assenta justamente no compromisso integrado pela sustentabilidade, a nível ambiental, social, económico e de governação. Um plano muito ambicioso”, assumiu.

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(Com Ecclesia)