
Leão XIV evocou hoje o legado de Francisco, no primeiro aniversário da morte do pontífice argentino, destacando a sua mensagem de “misericórdia” .
“Gostaria de recordar, neste primeiro aniversário da sua morte, o Papa Francisco, que deixou e doou muito à Igreja com a sua vida, o seu testemunho, as suas palavras e os seus gestos. Pelo que fez, vivendo verdadeiramente a proximidade aos mais pobres, aos pequeninos, aos doentes, às crianças, aos idosos”, disse o Papa, esta manhã, aos cerca de 70 jornalistas que acompanham a viagem apostólica a África.
No voo de Angola para a Guiné Equatorial, o último país desta viagem apostólica, Leão XIV assinalou que o Papa Francisco “pregou a mensagem da misericórdia”, e pediu para rezarem para o seu antecessor “esteja desfrutando da misericórdia do Senhor”
“Deixou muito à Igreja com o seu testemunho e a sua palavra”, realçou, observando que podiam ser recordadas “muitas coisas” do Papa Francisco, e lembrou a sua exortação incessante à “fraternidade universal”, procurou verdadeiramente “promover um respeito autêntico por todos os homens, todas as mulheres”.
“Promovendo um espírito de fraternidade, de sermos irmãos e irmãs, todos, de procurar como viver a mensagem que encontramos no Evangelho”, acrescentou.
Leão XIV destacou que a “mensagem da misericórdia” no Papa Francisco está presente desde o seu primeiro Ângelus, no domingo após a eleição de 13 de março de 2013, “mas também na Santa Missa que celebrou antes da inauguração do pontificado, em 17 de março de 2013”, e “pregou sobre a mulher que foi encontrada em adultério”, na Paróquia de Santa Ana, no Vaticano.
“Falou com o coração da misericórdia de Deus, falou com o coração desse grande amor, do perdão e da generosa expressão de misericórdia do Senhor”, explicou, sobre um “espírito” que Francisco quis partilhar “com toda a Igreja”, sem esquecer a “belíssima celebração de um Jubileu extraordinário da misericórdia”.
A 3 de novembro de 2014, o Papa Francisco nomeou o então padre Robert Prevost, futuro Leão XIV, administrador apostólico da Diocese de Chiclayo (Peru) elevando-o à dignidade episcopal de bispo titular da Diocese de Sufar; e criou-o cardeal no Consistório de 30 de setembro de 2023.
A Igreja Católica faz hoje memória do Papa Francisco, no primeiro aniversário da sua morte, aos 88 anos de idade, na madrugada de 21 de abril de 2025, um dia após o Domingo de Páscoa, na Casa de Santa Marta, no Vaticano, na sequência de um acidente vascular cerebral (Ictus Cerebri).
“Rezemos para que ele já esteja desfrutando da misericórdia do Senhor. Agradecemos ao Senhor pelo grande dom que foi a vida de Francisco para toda a Igreja e para o mundo inteiro”, pediu Leão XIV, que foi eleito a 8 de maio de 2025, no Conclave que escolheu o novo Papa após a morte de Francisco, citado pelo portal online ‘Vatican News’
Uma Missa na Casa Santa Marta, residência do Papa Francisco no Vaticano, lembrou também o pontífice argentino no primeiro aniversário da sua morte, e foi presidida pelo núncio apostólico Luigi Travaglino, que passou pela representação pontifícia em Portugal, na capela onde o Papa também celebrou e transmitiu durante a pandeia Covid-19.
“Agora não é o momento de nos determos no desenrolar de sua vida diária, aqui repleta de trabalho, reuniões e orações na pequena Capela do segundo andar. Tenho certeza de que o Papa Francisco se afeiçoou a esta casa, e nós nos afeiçoamos a ele; ainda o sentimos perto de nós”, escreveu D. Angelo Acerbi, na homilia que foi lida pelo presidente da celebração.
“Quero apenas recordar a coragem apostólica com que ele enfrentou os anos de seu Pontificado, mesmo quando, apesar de suas limitações físicas, quis cumprir sua missão apostólica até os extremos confins da terra”, acrescentou o cardeal italiano centenário.
As celebrações Vaticanas continuam com a recitação do Terço e uma Missa de sufrágio, presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, esta tarde, às 17h00 locais (menos uma hora em Lisboa), na Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma, onde o Papa Francisco foi sepultado, conforme o seu desejo, no funeral realizado no dia 26 de abril de 2025.
O Papa, numa mensagem escrita ao Cardeal Re, que depois foi utilizada na celebração, sublinhou que o seu predecessor chegou ao “coração de tantas pessoas, até aos confins da terra” e disse que a sua memória “permanece viva na Igreja e no mundo”.
“Foi sucessor de Pedro e pastor da Igreja universal numa época que marcou e continua a marcar uma mudança de era, aquela mudança da qual Ele estava plenamente consciente, oferecendo a todos nós um testemunho corajoso, que representa um património significativo para a Igreja.”
Leão XIV sublinhou a consciência do seu antecessor perante as transformações contemporâneas, que abordou com uma linguagem própria.
“Ainda ouvimos ressoar as suas exortações, expressas com palavras eloquentes, para tornar mais compreensível a boa nova: misericórdia, paz, fraternidade, cheiro das ovelhas, hospital de campanha e tantas outras”, observou.
“Cada uma destas expressões remete-nos para o Evangelho por ele vivido com uma linguagem nova que anuncia o mesmo Evangelho de sempre”, acrescentou.
“Em sintonia com os seus antecessores, acolheu a herança do Concílio Vaticano II e exortou a Igreja a estar aberta à missão, guardiã da esperança do mundo, apaixonada pelo anúncio daquele Evangelho que é capaz de dar a cada vida plenitude e felicidade.”
O Papa lembrou a profunda devoção mariana de Francisco, que levou à escolha da Basílica de Santa Maria Maior como local para a sua sepultura,
“A morte não é um muro, mas uma porta que se abre de par em par para a Misericórdia que o Papa Francisco anunciou incansavelmente”, apontou.
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, tornou-se, a 13 de março de 2013, o primeiro Papa jesuíta e o primeiro proveniente do continente americano a liderar a Igreja Católica.
Comprometido com o combate à “indiferença” e à “economia que mata”, Francisco deixou como uma das suas marcas o processo sinodal iniciado em 2021, desafiando a Igreja a um caminho de escuta, diálogo e maior participação de todos os seus membros.
Portugal assumiu um papel de relevo nesta geografia papal, consolidado com a visita a Fátima em 2017 — para o centenário das Aparições e a canonização de Francisco e Jacinta Marto — e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.
Na capital portuguesa, Francisco deixou o apelo a uma Igreja aberta a “todos, todos, todos”, mensagem que ressoa como o seu testamento espiritual, para muitas pessoas.