Cardeal-patriarca sublinha preocupação em reforçar “centralidade ativa” da família na comunidade cristã

O cardeal-patriarca de Lisboa disse hoje em Fátima que a “pressão mediática” sobre o próximo Sínodo dos Bispos no Vaticano, dedicado à família, tem gerado expectativas irrealistas na opinião pública.

“Não se há de esperar de um Sínodo de Bispos católicos qualquer indicação contrária ao ensinamento bíblico sobre o matrimónio e a complementaridade homem-mulher”, alertou D. Manuel Clemente, numa intervenção sobre o tema ‘Família e Comunicação’, no encerramento das Jornadas Nacionais de Comunicação Social, que reúnem cerca de 100 pessoas.

“O Sínodo reforçará acima de tudo a centralidade da família na comunidade cristã”, explicou em seguida.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) sublinhou o “exercício inédito de comunicação social” que representou o inquérito prévio da assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, em 2014, sobre a família.

“Nunca tal coisa se tinha feito”, destacou lembrando que “nunca” os trabalhos sinodais tinham tido tanta “cobertura e relevância mediática”, embora muitas vezes “com uma agenda unilateral”, centrada no tema dos divorciados recasados, no acesso à comunhão e acolhimento de homossexuais

D. Manuel Clemente destacou ainda que esta pressão não terminou e até “está a ser retomada de novo”, mas “é bom que todos, sobretudo os media mais ligados à igreja que centremos a discussão no sítio certo que é refletir sobre a vocação da família na igreja e na sociedade”.

A reunião de outubro “já não incidirá sobre os desafios pastorais da família”, mas “sobre a sua vocação e missão na Igreja e na sociedade, “no mundo contemporâneo”.

Recorde-se que mais de 400 pessoas vão marcar presença na 14ª assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada às questões da família, que vai decorrer no Vaticano de 4 a 25 de outubro e na qual estará presente D. Manuel Clemente que “chefiará” a presença portuguesa que integra também o presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco.

Durante a conferência que encerrou as jornadas de comunicação social da igreja, D. Manuel Clemente alertou , ainda, para as consequências da globalização “tecnológica e financeira” que tem “deixado famílias e sociedades inteiras esquecidas, sem memória nem projeto”.

O presidente da CEP falou, por isso, da Família como “lugar e motor de uma sociabilidade nova”, a partir da “proposta cristã”. E, deixou desafios concretos nomeadamente para o modo como se desenrola a pastoral familiar.

Citando o presidente do Conselho Pontifício da Família, D. Vincenzo Paglia, o Cardeal Patriarca assinalou que “a Família é pouco eclesial e as paróquias são pouco familiares”.

“As paróquias têm de deixar de ser agências de serviços e devem ser famílias de famílias e isso exige uma mudança enorme porque esse é o problema”, destacou D. Manuel Clemente.

Promovidas pela Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais e organizadas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, as Jornadas reúnem em cada ano responsáveis diocesanos pelo setor dos media, jornalistas e outros profissionais dos meios de comunicação social regionais e nacionais.