D.Manuel Clemente afirma que desgaste, desconfiança e desilusão não justificam “desistência”

O Cardeal Patriarca de Lisboa apelou esta manhã em Fátima ao dever de votar de todos os portugueses porque as eleições do próximo dia 4 de outubro “dizem respeito a todos”.

À margem das Jornadas Nacionais de Comunicação Social da Igreja, D. Manuel Clemente diz que a “escolha de quem nos governa” não pode ser “deixada ao acaso” e ninguém se “deve abster”.

“Compreendo o desgaste, a desconfiança e a desilusão que pode pesar na vida das pessoas mas isso não nos pode fazer desistir”, sublinhou o responsável da igreja católica portuguesa que solicitou a antecipação do voto.

No dia das eleições legislativas em Portugal, o Cardeal Patriarca vai estar na abertura dos trabalhos da Assembleia do Sínodo dos Bispos em Roma.

Sobre a campanha em curso, D. Manuel Clemente lembra que se trata de um momento “com virtualidades e com problemas”, desde logo “de tempo” o que “dificulta o aprofundamento e o tempo necessário para uma maturação de opiniões”.

Sobre os programas eleitorais e em véspera de um sínodo sobre a família, D. Manuel Clemente lamenta o facto dos partidos “não darem o destaque à família como deviam”, sobretudo naquilo que vai para além das questões sociais e de pobreza.

“Vivemos numa sociedade pouco integrada, com muita população de outros países e sobre isso os programas dos partidos nada falam. Os problemas sociais são importantes, mas não esgotam a problemática da família”, diz o Cardeal Patriarca.

D.Manuel Clemente referiu-se ainda à questão dos refugiados afirmando que está satisfeito com a “grande disponibilidade” e “generosidade” dos portugueses mas alerta para a necessidade de que esta chegada não é “uma visita causal”, muitos dos refugiados vêm em contexto familiar e isso “exige das autoridades, para além de uma dimensão de acolhimento, a de integração, o que pressupõe acompanhamento e medidas muito concreto”.