“Sinodalidade pode ser uma forma de enfrentar as polarizações”, diz cardeal Mario Grech

Foto: Agência ECCLESIA/OC

O secretário-geral do Sínodo dos Bispos disse hoje no Porto que a fórmula proposta pelo processo sinodal em curso na Igreja Católica pode ajudar a sociedade e os responsáveis políticos a superar “polarizações” e “conflitos”.

“Há muitos conflitos, polarizações, não só guerras. Acreditamos que a sinodalidade pode ser uma forma de enfrentar as polarizações, os conflitos”, referiu aos jornalistas o cardeal Mario Grech, colaborador do Papa, em conferência de imprensa.

O responsável da Cúria Romana destaca a possibilidade de chegar a soluções, “apesar das diferenças”, escusando-se a comentar a recente polémica gerada pelas críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, a Leão XIV.

Para o cardeal Grech, existe uma “clara continuidade” entre os dois últimos pontificados, destacando que o sucessor de Francisco “quer avançar nesta jornada sinodal”.

“Não poderia fazer de outra maneira, estamos a falar de uma conversão sinodal da Igreja que reflete a eclesiologia do Vaticano II”, precisou.

Questionado sobre os consistórios (reuniões de cardeais) que Leão XIV convocou, o responsável pela Secretaria-Geral do Sínodo destacou a forma “colegial” no ministério de governar a Igreja.

O membro da Cúria Romana assinalou ainda que o encontro de presidentes das Conferências Episcopais, convocado pelo Papa para outubro, também é “uma prática sinodal, uma forma sinodal de governar a Igreja”.

O responsável pela Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos está em Portugal, a convite do bispo do Porto, D. Manuel Linda, para ações de formação sobre o tema ‘A sinodalidade da Igreja e o Sínodo Diocesano’, em encontros que vão decorrer esta terça-feira, na Casa Diocesana de Vilar.

“Tudo deve voltar às Igrejas locais”, indicou o cardeal Grech, saudando o trabalho que está a ser levado a cabo para “traduzir” nos terrenos os resultados do Sínodo sobre a sinodalidade (2021-2024).

Na conclusão do processo, o Papa Francisco promulgou o documento final e enviou-o às comunidades católicas, convocando ainda uma inédita Assembleia Eclesial, para 2028.

Até dezembro de 2026, estão previstos percursos de implementação nas Igrejas locais e nos seus agrupamentos; no primeiro semestre de 2027 devem acontecer assembleias de avaliação nas dioceses, a que se seguem, no segundo semestre, assembleias de avaliação nas Conferências Episcopais nacionais e internacionais.

Para o primeiro quadrimestre de 2028 vão ser marcadas assembleias continentais de avaliação.

“Nos próximos meses, teremos mais de uma ocasião em que poderemos celebrar os frutos do Espírito, nas Igrejas locais”, adiantou o secretário-Geral do Sínodo, para quem este “novo estilo” pode fazer avançar a dinâmica da evangelização nas comunidades católicas.

O cardeal Grech antecipou o encontro com sacerdotes e diáconos do Porto, destacando que “a Igreja caminha com os pés com os padres”. 

“Há muitos, muitos bons padres que estão comprometidos neste processo [sinodal]”, apontou.

O responsável do Vaticano destacou que os membros do clero também precisam de ser “acompanhados”.

“Ainda há muitas pessoas a tentar entender o que a sinodalidade significa, é normal”, assumiu.

Para o secretário-geral do Sínodo, os padres e bispos são chamados a exercer um ministério de “serviço”.

“Somos parte deste processo, não uma exceção”, indicou.

Presente na conferência de imprensa, que decorreu no Paço Episcopal, D. Manuel Linda assinalou que o Sínodo Diocesano visa reforçar as dinâmicas de “comunhão, participação, missão”, promovidas pela XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos.

A Diocese do Porto vai trabalhar a partir do tema “formar, reformar e transformar”, visando uma “participação mais conscienciosa” e a “reforma das estruturas” eclesiais.

(Com Ecclesia)

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