Padre Fábio Silveira considera ordenação sacerdotal uma superação de “desafios próprios” e um sinal de esperança para a Diocese de Angra

O novo presbítero da diocese é um dos seminaristas mais velhos a ser ordenado presbítero nos últimos 10 anos

Foto: Igreja Açores

Minutos antes de ser ordenado sacerdote, Fábio Silveira assumia viver um dos momentos mais importantes da sua vida, descrevendo a celebração como “um dia feliz” não apenas para si, mas para toda a Diocese de Angra.

Natural da ilha do Pico e com 37 anos de idade, o novo presbítero reconheceu que o percurso até à ordenação foi exigente e marcado por desafios próprios de quem abraçou a vocação já em idade adulta.

“Assume-se uma responsabilidade diferente. Foi uma caminhada mais exigente. Terminar estes oito anos, depois de algumas dificuldades, representa uma vitória pessoal, não apenas por vencer a parte académica, mas também pelo serviço pastoral”, afirmou.

Fábio Silveira chegou a Angra do Heroísmo em 2010 para prosseguir estudos na área da música. Durante esse período manteve sempre uma forte ligação ao Seminário Episcopal de Angra, mesmo enquanto frequentava a universidade.

“Sempre houve muito contacto e proximidade com o seminário, mesmo no tempo em que estava na universidade”, recordou.

O agora sacerdote explicou que o discernimento vocacional aconteceu de forma gradual, mas tornou-se particularmente intenso no ano que antecedeu a sua entrada no seminário. Entre os desafios que enfrentou destaca a diferença de idade em relação aos colegas, o abandono da vida profissional e o regresso aos estudos académicos.

“Tive de deixar o mundo do trabalho e voltar a estudar. Havia também uma diferença etária significativa em relação aos colegas, que nalguns casos chegava aos 11 anos o que é significativo”, referiu.

Ao longo do percurso formativo, integrou uma turma que começou com cinco seminaristas, concluindo sozinho o processo de preparação para o sacerdócio.

Questionado sobre a realidade das vocações, Fábio Silveira considera que a diminuição do número de candidatos ao sacerdócio reflete uma crise mais ampla da sociedade contemporânea.

“É um desafio que a Igreja carrega às costas, mas é também uma crise da sociedade. A crise de vocações não existe apenas para os sacerdotes. Há uma crise de vocações na entrega aos outros, na disponibilidade para servir”, observou.

Para o novo sacerdote, a Igreja tem um papel fundamental na resposta a esta realidade, através do testemunho de uma vida centrada no serviço e na doação.

“A Igreja tem aqui um papel importante: sermos diferentes. Todos os cristãos têm esta missão”, concluiu.

Ordenado diácono em novembro de 2025, Fábio Silveira realizou o seu estágio pastoral na ilha de São Miguel. Com a ordenação presbiteral, passa agora a integrar o presbitério da Diocese de Angra, assumindo plenamente o ministério sacerdotal ao serviço da Igreja açoriana.

“Eu quero que as pessoas me vejam como uma pessoa que faz parte da comunidade e não uma pessoa que está à margem da comunidade”

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