O Papa assinalou hoje no Vaticano a solenidade da Santíssima Trindade, dogma fundamental do Cristianismo, sublinhando a centralidade do “mistério de um único Deus” em três Pessoas, Pai e Filho e Espírito Santo.

“Na medida em que é amor, Deus, sendo um e único, não é solidão, mas comunhão. Entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O amor é essencialmente um dom de si mesmo, e na sua realidade original e infinita é o Pai que se dá gerando o Filho, que por sua vez se doa ao Pai e o seu amor mútuo é o Espírito Santo, o vínculo de sua unidade”, referiu, antes da oração do ângelus, perante centenas de peregrinos na Praça de São Pedro.

“A festa de hoje faz-nos contemplar este maravilhoso mistério de amor e luz de onde vimos e para o qual se orienta o nosso caminho terrestre”, explicou, desde a janela do apartamento pontifício.

Francisco destacou que “as pessoas não são adjetivos de Deus, são pessoas reais”.

“Não é fácil entender, mas é possível viver este mistério”, acrescentou.

O Papa afirmou que este mistério da Trindade foi revelado pelo próprio Jesus.

“Ele fez-nos conhecer o rosto de Deus como um Pai misericordioso; apresentou-se, verdadeiro homem, como Filho de Deus e Verbo do Pai salvador, que dá a sua vida por nós; ele falou do Espírito Santo que procede do Pai e do Filho, o Espírito da Verdade, o Paráclito, isto é, Consolador e Advogado”, indicou.

“Isto fala ao nosso coração, porque o encontramos encerrado naquela expressão de São João que resume toda a Revelação: ‘Deus é amor’” (1Jo 4,8-16).

Francisco sublinhou que os cristãos, à imagem da Trindade, não podem “prescindir desta unidade” e da concórdia entre as diferenças.

“Ouso dizer que esta unidade é essencial para o cristão. Não é uma atitude, uma forma de dizer”, insistiu.

Após a oração, o Papa aludiu à beatificação de María Pilar Gullón Yturriaga, Olga Perez Monteserín Núñez e Octavia Iglesias Blanco, assassinadas em 1936, que decorreu este sábado na Catedral de Astorga, Espanha.

Francisco elogiou as três mártires, enfermeiras, mulheres “corajosas” que cuidavam dos feridos da guerra.

“Arriscaram e foram mortas, por ódio à sua fé. Louvemos ao Senhor pelo seu testemunho evangélico”, referiu, pedindo um aplauso para as novas beatas.

A intervenção aludiu ainda ao Dia Mundial da Esclerose Múltipla, destacando que “a proximidade é um bálsamo precioso, que apoia e consola quem sofre na doença”.

No final da oração, ao cumprimentar os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, com várias bandeiras, o Papa convidou a “rezar pela Colômbia”.

Falando de improviso aos peregrinos, Francisco disse que esta manhã recebeu um pequeno grupo de fiéis que lhe trouxeram a tradução da Bíblia, no seu dialeto, fruto de oito anos de trabalho de um só homem.

“São oito volumes, tudo em dialeto. E ele, que estava presente, disse-me que lia, rezava e traduzia”, relatou.

“Gostaria de agradecer este gesto e, mais uma vez, pedir para que leiam a Bíblia, a Palavra de Deus, para ali encontrar a força da nossa vida”, prosseguiu o Papa.

Francisco desafiou os católicos a trazer “sempre” uma edição de bolso do Novo Testamento, dos Evangelhos, para ler “em qualquer momento do dia”, um pedido que tem repetido em vários momentos, no seu pontificado.

“Assim encontraremos Jesus, na Sagrada Escritura”, indicou.

(Com Ecclesia)