Aniversário comemorado em `sede vacante´

 

A diocese de Angra assinala esta quarta-feira o 487º aniversário da sua criação, este ano pela primeira vez em muitos anos em sede vacante, já que o 39º bispo de Angra já está nomeado bispo de Viana do Castelo.

Na Solenidade de todos os Santos, D. João Lavrador despediu-se da diocese, embora formalmente só deixe de ser o seu administrador diocesano no próximo dia 27 de novembro.

A Diocese de Angra, que entrou neste ano pastoral no terceiro ano da “caminhada sinodal” inspirada no tema “A Beleza de Caminharmos juntos em Cristo”, uma caminhada que não tem sido mobilizadora dos cristãos e que sofreu alguns revezes com a pandemia.

Dos cerca de 236.600 habitantes nas nove ilhas do arquipélago, mais de 80% dos açorianos ou residentes nos Açores professam a religião católica registando-se aqui, também, uma das mais altas taxas de prática dominical.

Com um total de 165 paróquias e 22 curatos, a Diocese dispõe de uma centena e meia de sacerdotes e seis diáconos permanentes, mobiliza centenas de leigos nos vários movimentos e serviços da Igreja, a começar pela catequese, registando-se cerca de 3 mil catequistas e 23 mil catequisandos, do primeiro ao décimo ano.

A Diocese, criada há 487 anos pelo Papa Paulo III, através da Bula Aequum Reputamus, possui, 59 centros sociais canonicamente eretos, 47 confrarias e 23 misericórdias. A expressão da dimensão da religiosidade popular manifesta-se no número de irmandades do Divino Espírito Santo que as nove ilhas têm- 254.

A Diocese de Angra está organizada em 3 vigararias que abarcam 17 ouvidorias, sete delas correspondem à ilha toda- Faial, Pico, São Jorge, Flores,Corvo, Graciosa e Santa Maria- e só na maior ilha do arquipélago existem 8 ouvidorias- Ponta Delgada, Nordeste, Povoação, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo, Fenais da Vera Cruz, Capelas e Lagoa, registando-se duas também na ilha Terceira.

A sede da diocese é em Angra, tendo como catedral a Sé de Angra, dedicada a São Salvador do Mundo e padroeiro o Beato João Batista Machado.

Até à data da sua criação, os Açores integravam a Diocese do Funchal, que um ano antes tinha passado a Arquidiocese, e a de Angra passou a ser sufragânea desta até à sua extinção como Arquidiocese, passando depois a fazer parte da Província eclesiástica de Lisboa, situação que permanece até aos dias de hoje.

A organização religiosa do arquipélago, como as restantes terras do além-mar português então descoberto, começaram por estar sujeitas à jurisdição espiritual da Ordem de Cristo, exercida pelo vigário nullius de Tomar, que mandava visitar as ilhas por representantes, os chamados bispos de anel. Ao ser criado o bispado do Funchal (1514), o arquipélago açoriano passou a integrá-lo.

A pedido de D. João III de Portugal, o papa Clemente VII, ainda, criou o bispado de São Miguel (1533), mas faleceu antes da bula respetiva ter sido expedida.

No ano seguinte, o recém-eleito papa Paulo III pela bula Aequum Reputamus erigiu o bispado de São Salvador do Mundo, dando-lhe por catedral a igreja do mesmo nome na cidade de Angra.

Conta atualmente com a presença de 11 institutos religiosos.