Diocese de Angra associa-se a apelo nacional em solidariedade com o povo de Cabo Delgado

Mais de um milhão de pessoas foi obrigada a abandonar as suas casas

Foto: Lusa

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Angra é uma das entidades signatárias de um apelo nacional que alerta para a grave crise humanitária vivida na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, e convida a sociedade a não esquecer o sofrimento da população afetada pelo terrorismo e pela violência, que assolam a região há quase uma década.

O documento, subscrito por diversas comissões diocesanas de Justiça e Paz, pela Comissão Nacional Justiça e Paz e pela Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos, foi elaborado após um testemunho apresentado por D. António Juliasse, bispo de Pemba, sobre a realidade vivida naquela região moçambicana, informa uma nota enviada ao sítio Igreja Açores.

No texto, os signatários recordam que mais de um milhão de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas e que mais de seis mil perderam a vida desde o início do conflito, muitas delas vítimas de extrema violência. O documento refere ainda a destruição de cerca de 120 igrejas e capelas e denuncia o impacto humano, social e religioso da ação dos grupos terroristas.

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Angra associa-se ao apelo para que a situação de Cabo Delgado não caia no esquecimento nem na indiferença. O documento destaca a importância do diálogo entre as diferentes comunidades religiosas, incluindo as comunidades muçulmanas que rejeitam o extremismo, e defende o investimento na educação das novas gerações como instrumento de promoção da paz.

Os signatários manifestam igualmente preocupação com o facto de a população local beneficiar pouco da exploração dos recursos naturais da região, alertando para a necessidade de colocar a proteção das pessoas acima de interesses políticos e económicos. O texto denuncia também abusos atribuídos a membros das forças governamentais, sublinhando que a defesa da população deve constituir a prioridade de todas as autoridades.

Ao mesmo tempo, o documento evidencia o testemunho de esperança das comunidades cristãs de Cabo Delgado, cuja fé continua a sustentar a vida das famílias e das comunidades, apesar da violência e das dificuldades.

Além da Diocese de Angra, subscrevem o documento as comissões diocesanas de Justiça e Paz do Algarve, Aveiro, Braga, Bragança-Miranda, Coimbra, Lamego, Santarém, Setúbal, Vila Real e Viseu, bem como o Secretariado Diocesano de Pastoral Social do Funchal, numa manifestação conjunta de solidariedade para com o povo de Cabo Delgado.

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