Diocese de Angra celebra Dia Nacional da Liberdade Religiosa com convite à reflexão sobre a dignidade humana e a fé livre

Foto: Agência Ecclesia

A Diocese de Angra vai assinalar, pela primeira vez de forma institucional, o Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Interreligioso, celebrado a 22 de junho, propondo às comunidades cristãs uma reflexão sobre a dignidade da pessoa humana e a liberdade do ato de fé, informa uma nota da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Inter Religioso do Instituto Católico de Cultura.

Como o dia 22 de junho ocorre este ano numa segunda-feira, foi proposto que a comemoração seja assinalada nas celebrações do XII Domingo do Tempo Comum, a 21 de junho, através de uma intenção específica na Oração Universal. Nela, os fiéis serão convidados a rezar “pela liberdade religiosa e pelo diálogo inter-religioso, para que a dignidade de cada pessoa seja reconhecida, a consciência respeitada e o ato de fé vivido como resposta livre ao amor de Deus, em espírito de encontro, serviço e paz”.

“Através de um gesto simples de oração, a Igreja pretende recordar que a liberdade religiosa, o diálogo e a dignidade humana constituem dimensões fundamentais da sua missão evangelizadora. Neste contexto, sublinha-se que uma Igreja fiel ao Evangelho é chamada não apenas a anunciá-lo, mas também a colocá-lo ao serviço das pessoas e da sociedade” refere o coordenador da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso do Instituto Católico de Cultura, Francisco Almeida Medeiros, em declarações ao Sítio Igreja Açores.

Este ano, a reflexão proposta tem como tema central “A dignidade da pessoa humana e a liberdade do ato de fé”, em sintonia com o programa pastoral diocesano “Cristão, que dizes de ti mesmo?”. A Comissão sublinha que a liberdade religiosa “é um direito humano fundamental, constitucionalmente protegido”, mas também uma realidade profundamente enraizada no Evangelho, uma vez que a fé cristã só pode nascer e

Num contexto social marcado por desafios culturais, religiosos e identitários, a  Comissão recorda que a liberdade religiosa “protege não apenas a liberdade de acreditar, mas também a liberdade de celebrar, ensinar, servir, comunicar, criar cultura e contribuir para o bem comum”.

“A liberdade religiosa, quando devidamente compreendida, surge como uma ponte entre a dignidade de cada pessoa e a missão da Igreja no mundo. Trata-se de um valor que ultrapassa fronteiras confessionais e que reafirma o direito de cada indivíduo a procurar, acolher e viver a verdade em liberdade”, afirma ainda Francisco Almeida Medeiros.

“Num tempo marcado pela instrumentalização da religião em contextos de guerra, violência, tensão social e afirmação de poder, esta celebração assume particular relevância. Sempre que a religião é utilizada para justificar interesses ou divisões, afasta-se da sua verdade mais profunda. A fé autêntica não nasce para erguer muros, mas para abrir caminhos de encontro, reconciliação e esperança. Por isso, esta data constitui também um convite a recentrar a atenção no essencial: a liberdade humana deve prevalecer sobre qualquer interesse ou ideologia”, conclui.

A proposta pastoral encontra eco nas palavras do Papa Leão XIV, que tem destacado a importância da liberdade religiosa para a construção de sociedades verdadeiramente humanas e pacíficas. Numa audiência dedicada a esta temática, com a Fundação Ajuda à Igreja que sofre, o Santo Padre afirmou: “O direito à liberdade religiosa não é opcional, mas essencial”, acrescentando que este direito está enraizado na dignidade da pessoa humana e permite que indivíduos e comunidades procurem a verdade, a vivam livremente e a testemunhem publicamente.

“Esta reflexão ganha ainda maior significado no contexto de uma Igreja sinodal, que procura escutar, discernir e caminhar com os outros. O respeito pelo próximo e o diálogo são elementos centrais deste modo de ser Igreja, que testemunha a fé sem se impor, privilegiando a escuta e o encontro”, acrescenta ainda Francisco Almeida Medeiros.

Ao assumir esta celebração no calendário pastoral diocesano, a Diocese de Angra pretende manter viva, ao longo de todo o ano, a atenção à liberdade religiosa, ao diálogo entre crentes, à dignidade humana e à construção da paz, apresentando estas dimensões como parte integrante da missão evangelizadora da Igreja.

 

 

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