D. Armando Esteves Domingues presidiu à Peregrinação Nacional da Sociedade Missionária da Boa Nova, em Fátima

O bispo de Angra alertou esta manhã, em Fátima, para aquilo que considera ser um “retrocesso cultural” que, em pleno século XXI, “atenta contra a liberdade religiosa e promove a perseguição violenta”, denunciando também a existência de uma preocupante “indiferença global” perante estas realidades.
As declarações foram proferidas por D. Armando Esteves Domingues durante a Peregrinação Nacional da Sociedade Missionária da Boa Nova, ao santuário de Fátima.
Perante os conflitos e injustiças que marcam o mundo atual, o prelado apelou a uma tomada de posição clara por parte dos cristãos e da Igreja.
“É necessário gritar: basta de guerras, basta de ameaças, basta de ódio, basta de humanidade de primeira e de segunda. Falar em defesa do fraco e do injustiçado é prioridade evangelizadora, hoje”, afirmou.
Dirigindo-se aos peregrinos presentes, destacou a importância da dimensão comunitária da fé e da missão cristã.
“Perante os novos desafios, a nossa resposta deve ser comunitária. O individualismo é o óbice à evangelização; a vossa força reside em viver, partir e anunciar juntos”, sublinhou.
O bispo recordou ainda que a vida cristã se constrói em comunhão e não de forma isolada.
“A vida cristã não é um palco para o brilho solitário, mas um caminho que se aprende a percorrer em conjunto. A vossa vocação é, hoje, mais atual que nunca, especialmente ao acolherdes candidatos dos mesmos países onde outrora fostes enviados”, afirmou, dirigindo-se particularmente aos missionários da Boa Nova.
A Sociedade Missionária da Boa Nova encontra-se atualmente a preparar a celebração do seu centenário, que será assinalado em 2030, num percurso inspirado pelo tema “Servidores de Bem-aventuranças”.
Referindo-se à identidade missionária da congregação, fundada durante o pontificado do Papa Pio XI para anunciar o Evangelho em territórios onde Cristo ainda não era conhecido, D. Armando destacou a atualidade dessa missão.
“Há um campo alargado de missão”, afirmou, acrescentando que “a missão ‘ad gentes’ não é história do passado, é a própria identidade da Igreja”.
Reconhecendo as transformações sociais e culturais do nosso tempo, o bispo de Angra apontou novos espaços onde a evangelização é necessária.
“O anúncio não se faz na penumbra, mas sobre os telhados das periferias geográficas ou existenciais, das praças digitais, das universidades, dos meios de comunicação, das injustiças sociais, atentados à vida e dignidade humana, das famílias feridas, dos jovens desesperançados”, afirmou.

Na sua reflexão, reforçou também que a missão evangelizadora não deve ser medida pelos resultados visíveis.
“O missionário não é um gestor de êxitos, mas uma testemunha da graça”, disse.
Sobre o sentido profundo da evangelização, acrescentou: “Evangelizar é um ato de suprema reverência. Não conquistamos territórios; abrimos caminhos de salvação”, apelando ainda a que “Em dia nenhum, em circunstância nenhuma da vida, o cristão se deixe dominar pelo medo”.
A concluir, deixou uma mensagem de encorajamento aos Missionários da Boa Nova:
“Que os Missionários da Boa Nova sejam sempre o sinal de uma Igreja que não se instala na comodidade, mas que ama o mundo com o coração de Cristo. Que o medo não silencie o anúncio e que a esperança, mais forte que qualquer pecado ou dispersão, renove a vossa missão”.
A Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) é uma sociedade de vida apostólica católica portuguesa, fundada em 1930 pelo Papa Pio XI. A sua missão principal é a evangelização e o apoio humanitário, com uma forte presença de padres e leigos em vários países de língua oficial portuguesa e outras nações.
A sociedade engloba também as Missionárias da Boa Nova e os Leigos Boa Nova, formando uma rede alargada de apoio através de orações, paróquias e comunhão espiritual. Na área da comunicação, editam publicações de referência como a revista Boa Nova, a revista Igreja e Missão e o jornal Voz da Missão.