“Emmanuel” convida à descoberta de Deus no silêncio e no encontro

Segundo livro do Padre Carlos Simas foi apresentado ontem à noite na Ribeira Grande

Foto: Padre Carlos Simas apresenta segundo livro da sua autoria

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela acolheu esta sexta feira a apresentação do livro “Emmanuel: uma busca de sentido num mundo em sombras”, da autoria do padre Carlos Simas. A sessão, aberta ao público, reuniu literatura, música e espiritualidade, proporcionando um momento de reflexão sobre a procura de sentido, a fé e a presença de Deus na vida quotidiana.

Publicado pela editora Alma Letra, o segundo livro do sacerdote açoriano, agora ouvidora da Ribeira Grande,  acompanha a caminhada de Elias, um jovem que procura respostas para as inquietações da existência e para o aparente silêncio de Deus. Ao longo da narrativa, essa ausência transforma-se gradualmente em presença, revelando o significado de Emmanuel – “Deus connosco”.

Na apresentação da obra, a jornalista Margarida Pereira, autora do prefácio, destacou a dimensão profundamente humana e espiritual do livro.

“Há livros que lemos e há outros que nos leem, porque ficam connosco e nos interpelam”, afirmou, sublinhando que Elias conduz o leitor numa viagem interior marcada por dúvidas, fragilidades e perguntas para as quais nem sempre existem respostas imediatas.

“A grande força desta obra é a capacidade que o padre Carlos Simas tem de falar de Deus sem ruído, sem imposições e sem certezas fáceis”, referiu. Segundo a jornalista, o autor apresenta um Deus que habita no coração humano e escuta as suas inquietações, através de uma escrita marcada pela clareza, simplicidade e autenticidade.

Margarida Pereira confessou ter sido particularmente tocada pela leitura do livro durante o acompanhamento de um doente em contexto hospitalar, considerando Emmanuel “uma experiência de encontro connosco próprios, com os outros e com o mistério que nos habita”.

Tomando a palavra, o padre Carlos Simas explicou que Elias representa cada pessoa que procura respostas para as dúvidas da sua vida.

“Todos nós somos pó e ao pó voltaremos, e é neste pó que vamos construindo a nossa vida. É nela que recebemos toda a dádiva de Deus”, afirmou.

O autor descreveu o percurso da personagem principal como uma caminhada marcada por encontros, indiferenças, dúvidas e frustrações.

“Pode parecer que cada percurso volta sempre à estaca zero, até que um dia, num banco de jardim, Elias encontra alguém que lhe fala à alma”, relatou. É a partir desse encontro que o jovem inicia um novo caminho interior, descobrindo que “o jardim da nossa vida só começa a florir quando interiormente estamos bem”.

Escrito em diferentes fases da vida do sacerdote, o livro começou a ganhar forma antes do início dos seus estudos na Universidade Católica Portuguesa. Anos mais tarde, ao reencontrar os textos guardados no computador, Carlos Simas retomou-os, aprofundou-os e construiu a narrativa que agora chega aos leitores.

Ao portal Igreja Açores, o sacerdote já tinha descrito a obra como o encontro entre “um coração à procura de uma resposta e uma alma a dar respostas”, uma história que nasce da vida, da esperança e da fé.

Dirigindo-se aos presentes, o autor deixou ainda um convite à leitura pausada da obra. “O verão tem três meses; podem ir lendo e relendo devagar”, sugeriu, recordando a mensagem central do livro: “Nós nunca estamos sós. Alguém está sempre connosco e esse alguém é sempre um Emmanuel, Deus connosco, seja quem for”.

A apresentação contou ainda com um momento musical protagonizado pelo grupo Laudum Dei, conjunto constituído exclusivamente por sacerdotes católicos portugueses e do qual o padre Carlos Simas faz parte, reforçando a dimensão espiritual e contemplativa da iniciativa.

Scroll to Top