Iniciativa tem lugar entre os dias 23 e 25 de janeiro no Centro Missionário dos Padres do Sagrado Coração de Jesus

O Movimento Encontro Matrimonial (EM) vai promover o Fim de Semana Original(FDS), que realiza anualmente na diocese de Angra, reunindo dez casais no Centro Missionário dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, em Ponta Delgada, entre os dias 23 e 25 de janeiro.

Trata-se do 12º FDS do movimento na Diocese de Angra, o sexto desde que o EM foi “reativado” em 2008, e que tem atualmente como coordenadora a equipa eclesial composta por um casal- Maria Luísa e Mário Raposo- e um sacerdote – Pe Nemésio Medeiros.

“Esta é uma oportunidade para os casais se descobrirem e se focarem um no outro. Durante este Fim de Semana não há distrações a não ser namorar um com o outro” disse ao Sítio Igreja Açores Maria Luísa Raposo, que juntamente com o marido, entrou para o movimento em 2008, altura em que fez o seu FDS.

“Foi ocasional pois não pertencia a nenhum movimento da igreja. Simplesmente ia à missa da Matriz, com a família ao domingo, e o Pe Nemésio convidou-nos para um fim de semana de namoro e eu aceite logo”, destaca, “apesar de alguma resistência do Mário que não estava muito convencido no inicio”.

O Fim de Semana original, como é chamado, é o primeiro momento de contacto com este movimento de Encontro Matrimonial. Os casais que já fazem parte da comunidade lançam o convite a outros casais-  “começamos sempre pelos nossos amigos mais chegados mas qualquer pessoa pode auto propor-se para participar no FDS, desde que haja vaga”- e o desafio é sempre o mesmo: “querem namorar um bocadinho, sem outro compromisso que não seja o de namorarem?”. E quando se diz qualquer casal é mesmo qualquer casal, independentemente de ter contraído matrimónio.

“Já tivemos casais com casamento civil e alguns deles casaram imediatamente a seguir pela igreja. Aliás, houve um que só não o fez durante o FDS porque queria ter a família consigo”, lembra Maria Luísa Raposo.

Mas há dificuldades e resistências. “As pessoas arranjam mil e uma desculpas para não aderirem a este desafio” reconhece Mário Raposo, desde logo porque “há um custo que nem todos podem pagar mas sobretudo porque desconhecem a verdadeira dimensão deste Fim de Semana”.

“Quem faz uma experiência EM nunca mais esquece nem pode ficar a mesma pessoa”, reconhece o Pe Nemésio Medeiros, pároco da Matriz de São Sebastião, sublinhando que “quando chegam trazem uma cara e no domingo, quando chega ao fim, estão com outra totalmente diferente”.

O Fim de Semana é uma experiência vivida por casais, sacerdotes e religiosos, que constitui uma oportunidade para “ajudar os casais a conhecerem-se melhor e a amarem-se mais”. Decorre entre as 19h00 de sexta feira, altura do acolhimento, e as 18h00 de domingo, hora em que termina a Eucaristia. Uma equipa de três casais católicos e um sacerdote partilham uma série de 14 temas de reflexão durante todo o fim de semana e através destes temas é dada aos participantes “a oportunidade de se olharem individualmente e em casal e de reavaliarem a sua relação e a sua relação com os outros”.

“O FDS está orientado para que cada um se concentre no outro e o sacerdote e a religiosa ou religioso se concentre na sua comunidade”, dizem os responsáveis que lembram permanentemente que “ninguém é forçado a nada”.

As discussões/reflexões “são sempre entre marido e mulher; sacerdote com sacerdote ou religioso com religioso”, porque como diz a página oficial do movimento “o amor não se decreta, cultiva-se” e “esta é uma oportunidade para ganhar ferramentas para limar arestas no relacionamento”.

“Ninguém muda do dia para a noite e por isso também não muda no fim de semana, mas ganham-se ferramentas para limar muitas arestas que dificultam a convivência a dois” diz Maria Luísa Raposo e “podem ser decisivas para uma desunião”.

“Não vamos para ali fazer proselitismo mas temos uma enorme oportunidade para reviver o namoro e refrescar a nossa relação, seja em casal seja do próprio sacerdote”, frisa o Pe Nemésio Medeiros que,  quando questionado sobre a mais valia pessoal de pertencer ao EM, diz prontamente “fez-me sentir amado e válido porque também eu ganhei ferramentas para lidar com os problemas da minha comunidade”.

O FDS é o primeiro contacto com o movimento EM. Segue-se um mês de interregno e depois há uma nova reunião entre todos os casais participantes com as equipas de caminhada, e os que decidem entram nesse processo. Uma vez por mês, durante sete meses os vários grupos coordenados por equipas de caminhada (casais “sénior” que já fizeram formação especifica) reúnem-se para debater e refletir. Ao fim dessas sete etapas há casais que podem ser “enviados” para formação e atingem, por assim dizer, uma terceira etapa que é “Viver na Diferença”. Há depois as “Células Vivas”, casais integrados nas comunidades paroquiais e os Casais que, numa fase já “de grande maturidade de vida conjugal e dentro do movimento” que são convidados a fazer o conhecimento mais profundo e a escreverem temas. São estes casais que depois orientam o Fim de Semana.

Nos Açores ainda não há qualquer equipa com este grau de formação, a não ser o Pe Nemésio Medeiros que está “habilitado” a orientar os FDS´s.

Na Diocese de Angra o Movimento EM só existe em São Miguel, desde 1993, embora entre 1998 e 2008 tenha estado “adormecido”.

“É difícil cativar padres diocesanos para este movimento porque pressupõe uma grande disponibilidade de partilha e de acompanhamento dos casais porque não basta fazer o FDS, é preciso garantir a manutenção”, sublinha o sacerdote reconhecendo “que +é muito gratificante mas muito exigente”.

A atual equipa eclesial termina o mandato em setembro, altura em que será escolhida uma nova equipa, eleita por voto secreto entre os casais da comunidade e que pode ser ou não nomeada pela direção nacional.

No próximo Fim de Semana vão participar dois sacerdotes- os Padres Carlos Simas, ouvidor da ouvidoria de Fenais da Vera Cruz e Miguel Tavares, da ouvidoria das Capelas, mas há pelo menos mais sete sacerdotes da ilha de São Miguel que já fizeram este FDS, que “não é um retiro espiritual”.

O EM está presente em 90 países e foi fundado em 1962. Está em Portugal há 32 anos. É um serviço da igreja católica mas está aberto, sem distinções, a casais de outras religiões e a não crentes.