Pelo padre Rui Silva

Jesus não é de meias palavras. Com Ele é dito e feito. Uma realidade em Jesus é que a “palavra dada é palavra honrada”, algo que nestes tempos caiu em desuso. A promessa foi cumprida. Não ficamos abandonados. O Espírito está presente e faz-se presente. Cinquenta dias depois, eis o Pentecostes.

Celebrar o Espírito Santo é um modo de ser açoriano. Conhecemos bem este fervor em nós nestes dias lembrados, mas “confinados”.

Sabemos que a devoção ao Divino, atravessou o atlântico e ultrapassou as fronteiras. Nas malas e bagagens a coroa e a bandeira do Espírito Santo. Em casa, existe sempre um espaço (um cantinho) para um “altarinho” ao Divino. Do outro lado do Atlântico, o açoriano tornou-se embaixador da devoção e transmissor da tradição ao Divino.

Uma das características desta festa, é a partilha mesmo com as suas diferenças de ilha para ilha. Sinal que a diversidade une e dá mais sabor à fé. Os açorianos sabem dar. O dar, sem olhar a quem. Um dar desinteressado. Um dar que é um recomeço e outras tantas vezes um começar. Um dar que não olha para trás, porque a partilha (dar) manifesta o amor puro, que abraça pobres e ricos, crentes e não crentes.

A partilha (dar) do Espírito Santo, é como a “aritmética de Deus” do frei Fernando Ventura: “dividir para multiplicar e somar sem subtrair nada a ninguém”. Partilhar é sempre um desafio e um convite.

A outra característica tão genuína da festa do Espírito Santo, é a alegria. Celebrar e viver o Espírito Santo, é fazer festa com alegria. Poderá haver festa ao Espírito Santo sem alegria? Custa a acreditar. Festa ao Divino que se preze, é feita com alegria de todos e para todos, espelhada no rosto de cada homem e mulher. Ansiamos por uma alegria que mexa e remexa a nossa vida, que destranque as portas do medo que nos paralisa e dinamize a fé que nos move. Não sejamos cristãos teimosos em viver a alegria sozinhos. Falta-nos sentir a alegria e o vigor do Espírito Santo, como “fogo que arde sem se ver”, aquela alegria que nos deixa habitar o mesmo mundo.

O Espírito Santo, é um sinal incontornável do amor. De um amor sempre novo, que encurta distâncias, que se reinventa e se recria, sem condições, esquemas, restrições ou calculismos. É um fazedor de laços, que não se instala nem tem prazo de validade. No Espírito Santo, tudo fala de amor. Viver o Espírito Santo, é desprender a língua para o amor. Falar de amor não é ser lamechas, mas uma necessidade. Só quem não se sente amado, vê o amor como um tempo perdido e uma perda de tempo.

Que o Divino Espírito Santo nos empurre para uma tão necessária e profunda renovação interior, alegre e fresca: da mente, dos lábios e do coração. Que nos ajude a deixar-nos surpreender pela vida que acontece. Que sopre em nós o desejo de redescobrir a fé. Que acenda em nós a chama do sorriso e da esperança.

Abraço-te.