Por Renato Moura

Escrevi no «Igreja Açores», já lá vão quase quatro anos: “Creio que o espírito das festas do Espírito Santo já não é o que era”. A dádiva do “encanto das lendas, milagres e sinais do Espírito Santo”, fortificador da fé dos adultos e seus antepassados, já então me parecia não ser mantida e transmitida com eficácia à gente nova.

A Covid19 levou à supressão das festas do Divino Espírito Santo no ano passado, prenunciando efeitos preocupantes. A contenção vigente neste ano continua a inquietar. Agrava-se a desmotivação a juntar e pesar nos sinais referidos no parágrafo anterior.

Aceite-se ou não, mas há de ter-se em conta como a componente popular e publica das festas contribui para a consolidação, ou manutenção, da crença religiosa de muitos. E o especial culto ao Espírito Santo ocupa um lugar central e por vezes quase exclusivo na fé do nosso povo.

Foi indispensável e correcto respeitar as orientações das autoridades, para protecção da saúde. Agora é fundamental e imprescindível reparar os danos, não só materiais como espirituais, com a maior celeridade possível. Ao nível religioso também; no concernente ao culto especial ao Divino Espírito Santo muitas são as pessoas com especiais dons, deveres e obrigações.

Ainda outro dia nos foi feito recordar como Jesus assumiu a natureza dos homens e depois de concluída a missão na terra se deu a Sua ascensão ao Céu; todavia não nos abandonou, pois prometeu-nos: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse (Jo 14,26). Esse Espírito ficou dado a todos, continua em toda a parte a sua obra, oferece carismas para o bem de todos. Acreditamos que o Espírito se difunde de modo imperceptível. Ele fala a cada um de nós através da nossa consciência, de forma a sermos capazes de o entender, se não nos recusarmos a ouvir. Assim soubéssemos partilhar esta fé, de modo eficaz, urbi et orbi.

Retenha-se como esse Espírito pode inspirar, iluminar, animar e guiar a vida dos crentes. São Paulo escreveu “os frutos do Espírito são: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio (Gl 5,22-23). Recorde-se e difunda-se a excelência destes frutos e como podem auxiliar nas situações tão complexas e inéditas agora colocadas à decisão de cada um, nos vários campos da sua actividade pessoal ou colectiva.

Sabemos como o Pentecostes se pode renovar em cada festa, ou sem ela todos os dias, quando pedirmos: Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.