Por Renato Moura

“Flashes, Roteiros e Vivências” é título de livro, em 2.ª edição, do Dr. Weber Machado Pereira.

Ao longo do livro – um compêndio para absorver com vagar e espírito aberto – o autor relata, em linguagem simples, cinquenta vivências de uma vida preenchida a compreender as dificuldades dos mais frágeis e necessitados e a procurar, por todos os meios, não só resolver os problemas imediatos, mas buscar caminhos dignos e soluções para um futuro feliz de tantas pessoas.

Lutou pela recuperação de gente sem objectivos e de vidas destruídas pelo álcool e pela droga, defrontou-se com a miséria absoluta, confrontou-se com a desgraça de gente sem casa ou até sem abrigo, corajosamente mergulhou no drama de empregadas domésticas e trabalhadores a quem tradicionalmente não eram reconhecidos direitos elementares.

Deu e buscou solidariedade – em valores, bens ou outros meios – para quantos dela necessitavam e quando uma porta se fechava, insistia ou procurava outras. Convenceu e levou ao tratamento de dependências, não condenou as recaídas e insistiu sempre na recuperação. Albergou, educou e mobilizou para causas pessoas que a sociedade dera por perdidas.

Não é – nem ele quis que fosse – um livro para dar lições. Mas sinto dever afirmar que nele estão verdadeiros ensinamentos de como interpretar e lidar com situações sociais difíceis. O que está no livro não se aprende nas universidades. Deveria ser estudado por aqueles que aspiram a licenciaturas nas áreas sociais, por quem tem responsabilidades em IPSS, por políticos e dirigentes públicos obrigados ou interessados em dar resposta a problemas sociais. Nele se pode destrinçar o dever das entidades públicas e a cooperação da sociedade; o que se pode resolver com dinheiro, mas também quão indispensável é a solidariedade directa e pessoal, sincera e humana.

O livro não é um resumo da vida do Monsenhor Weber, que na Igreja se licenciou em teologia, foi pároco e assistente; também se licenciou em matemática e foi professor, jornalista, escuteiro, dirigente associativo, interventivo na área político-social e presidente da Cáritas de S. Miguel. Um Homem que sendo sublime, soube ser modesto.

Os poucos “flashes e roteiros”, que da experiência nos legou, também servem para nos ajudar a perceber até onde deve ir a defesa da dignidade humana, demonstram mestria na iniciativa, coordenação e execução prática da doutrina social da Igreja, todavia sem nunca se esquecer de exaltar os colaboradores; e exemplificam a consolação pessoal que sempre nos advém da prática do bem.