Pelo Padre Sérgio Mendonça

Francisco surpreende uma vez mais ao anunciar o ano da família, que terá lugar entre 19 de março do presente ano e 26 de junho de 2022.

Sem dúvida, que esta ideia do Sumo Pontífice não surgiu do nada, mas pretende sim com este ano especial continuar o percurso sinodal que o levou à publicação do documento “Amoris laetitia”, já no quinto aniversário da sua publicação, fruto da XIV Assembleia Geral Ordinária dos Bispos realizada em outubro de 2015 sob o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

No momento desta convocação do ano da família o Santo Padre inspirou-se na Sagrada Família: “porque é a família de Jesus, a de Nazaré é a família modelo, em que todas as famílias do mundo podem encontrar o seu ponto de referência seguro e uma inspiração segura. Em Nazaré brotou a primavera da vida humana do Filho de Deus, no momento em que Ele foi concebido pela ação do Espírito Santo no seio virginal de Maria.”

Com o Ano “Família Amoris Laetitia”  Francisco quer chegar às famílias de todo o mundo, dando à Igreja oportunidade de reflexão e estudo para viver concretamente a riqueza da exortação apostólica “Amoris Laetitia”.

A Sagrada Família é tantas vezes apresentada como modelo, e sem dúvida é uma família um tanto ou quanto peculiar. A Sagrada família de Nazaré encerra em si uma mensagem para todas as famílias ainda hoje, numa altura em que a família como instituição está em crise. A boa notícia é que é possível uma santidade não somente individual, mas uma santidade colectiva, familiar e repartida, como um contágio de santidade entre as relações humanas. Santidade não é sinónimo de perfeição. Se bem analisarmos, nem a relação entre a Sagrada família primava pela perfeição. Há nesta Santa família, desconforto e angústia, provocadas pelo filho adolescente. Jesus aos doze anos afasta-se dos pais sem lhes pedir licença e, quando a mãe lhe pede explicações para o que fez, até dá uma aparente má resposta. Os pais de Jesus não compreenderam as suas palavras. Por conseguinte, houve desentendimento e incompreensão notória.

Santidade não significa não ter defeitos, mas ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Deus e traduzi-los, com fadiga e alegria, em gestos.

É com José e Maria, durante anos, que Jesus aprende a arte de ser bom, obedecendo aos pais, ou seja, seguindo os seus ensinamentos.

“Também hoje, tantas famílias, longe dos refletores, com grande fadiga, tecem profundos elos de amizade, de boa vizinhança e de ajuda e colaboração; vidas extraordinariamente “santas” nas pequenas coisas, como aconteceu em Nazaré.

A família é o lugar, onde se aprende a pronunciar o nome de Deus e o nome mais belo de Deus é: Amor, Pai e Mãe. A família é o primeiro lugar, onde reside o primeiro magistério, ainda mais importante do da Igreja”.

A Conferência Episcopal Portuguesa apresenta um resumo daquilo que são os objectivos deste ano da família e que penso ser útil para todos nós: difundir o conteúdo da exortação apostólica Amoris Laetitia, anunciar que o sacramento do matrimónio é uma dádiva, tornar as famílias protagonistas da pastoral familiar, consciencializar os jovens e alargar o olhar e a ação da pastoral familiar.

Inaugurado a 19 de março de 2021, o Ano “Família Amoris Laetitia”, terminará a 26 de junho de 2022, por ocasião do X Encontro Mundial das Famílias em Roma com o Santo Padre.

 

*O padre Sérgio Mendonça é pároco na Conceição e Praia do Almoxarife, na ouvidoria da Horta