Pe Júlio Rocha presidiu à Missa Campal e procissão e deixou apelo à valorização do mar Os cristãos devem estar na primeira linha da defesa do ambiente e o respeito que os pescadores demonstram pelo mar deve servir de “inspiração” a todos os que trabalham em terra em nome da boa relação entre o homem e a natureza, disse esta tarde o Pe Júlio Rocha que presidiu à procissão  e missa campal em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem na Praia da Vitória, uma celebração que coincide com o encerramento das Festas da Praia, na ilha Terceira.

O sacerdote, que é professor no Seminário Episcopal de Angra, lembrou a responsabilidade que o homem tem na preservação do meio ambiente e do equilíbrio ecológico, sobretudo no que respeita ao mar.

“Deus disse : `crescei e multiplicai-vos e dominai a terra´; mas esqueceu-se de dizer que é preciso dominar o mar”, afirmou o sacerdote que fez questão de sublinhar a relação de respeito que a maioria dos pescadores tem com o mar, sobretudo em ilhas como a Terceira onde a pesca ainda é uma atividade significativa para o sustento de muitas famílias.

O pároco de Porto Martins, que é natural do concelho da Praia da Vitória,  não perdeu de vista a última encíclica do papa Francisco sobre ambiente- Laudato Si- e falou do papel “fundamental” dos cristãos na defesa da natureza.

O sacerdote, que é natural deste concelho terceirense, aproveitou a oportunidade para destacar a zona do Ramo Grande como uma “unidade cultural única” no contexto da ilha Terceira que deve lutar pela sua preservação.

“O Ramo Grande constitui uma unidade cultural única por causa da sua arquitetura, das suas tradições, nomeadamente as festas do Divino Espírito Santo, da sua religiosidade e arte de bem receber  e, perante as contrariedades atuais, concretamente o problema da base das Lajes, não deve baixar os braços”, referiu.

O Pe Júlio Rocha foi o convidado da autarquia, promotora destas festas, para presidir à procissão e Missa Campal, dois momentos celebrativos, aos quais a paróquia de Santa Cruz, da Praia da Vitória, é chamada a colaborar.

“Faço-o de alma e coração” disse ao Sítio Igreja Açores o pároco, Pe Abel Vieira que vê nestes momentos uma forma da igreja “acolher” quem por aqui passa nestes dias de festa que são também, neste caso concreto, “uma homenagem aos homens do mar”.

A tradição é antiga, e a atual festa pretende recuperar a primeira procissão dos marítimos, ligada ao Império do mesmo nome, que todos os anos homenageava São Pedro Gonçalves.

Este costume foi interrompido e há três anos a Câmara decidiu recuperar esta procissão integrando-a no encerramento das festas da Praia tal como fez com a festa de Santa Rita, que inaugura o evento.

Hoje, a imagem de São Pedro Gonçalves, juntamente com a de Santa Bárbara e a da Nossa Senhora da Boa Viagem, seguem nas traineiras em cortejo processional, no mar, tal como a Coroa do Império dos Marítimos (cujo bodo acontece anualmente no domingo da Trindade), acompanhadas das filarmónicas.

O cortejo sai do Porto da Praia, no Cabo da Praia, por mar e chega à Marina, de onde segue até à principal praça da cidade, a Francisco Ornelas da Câmara, onde é celebrada a Missa Campal. Este ano a celebração eucarística foi animada pelo Coral de São José, dirigido pelo Maestro Luís Filipe Carreiro.

Na celebração, além das autoridades, juntam-se sempre muitos emigrantes terceirenses que acorrem às festas da Praia.

“É uma iniciativa camarária com a qual a paróquia colabora e coopera porque entendo que estes momentos celebrativos são importantes e procuramos que eles tenham a maior dignidade possível” frisou ainda o pároco.

De referir que a pesca ainda é uma atividade económica de grande expressão na Praia da Vitória, sobretudo no que à actividade portuária diz respeito.

O porto de pescas da Praia da Vitória é o segundo maior da ilha Terceira, registando um volume de pesca descarregada muito significativo, logo a seguir a São Mateus.

As condições logísticas da infraestrutura permitem acolher as embarcações de maior porte que acabam por encontrar aqui melhores condições de acostagem.

Do ponto de vista da atividade em si, “há cada vez menos pescadores” diz o Pe Abel Vieira sublinhando que hoje o número de pescadores naturais desta paróquia é “muito reduzido”.

As Festas da Praia tornaram-se no contexto das festas de verão um dos mais importantes eventos reunindo milhares de pessoas, inclusive de outras ilhas e da diáspora.

Além destes dois eventos religiosos- a Festa de Santa Rita e a de Nossa Senhora da Boa Viagem- as Festas da Praia são conhecidas pela Feira gastronómica e pelos concertos que proporcionam, sobretudo para a juventude.