Novenário, que decorre, e festa litúrgica no dia 13 de setembro serão celebrados com muitas restrições

O Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, na ilha Terceira, vive hoje o seu dia grande com a festa anual que este ano, devido à pandemia, está muito condicionada. A missa será celebrada às 11h00 e terá transmissão em direto pela Vitec Azores TV, que foi o órgão escolhido para as transmissões do novenário e da missa de festa.

“O Santuário apenas irá fazer memória da solenidade litúrgica da natividade de Nossa Senhora a ter lugar, como é habitual, no segundo domingo de setembro, tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora dos Milagres” afirmou o padre João Pires num comunicado quando anunciou o formato das festas deste ano.

“Caros peregrinos, privilegiemos e demos prioridade a uma peregrinação acompanhada através dos órgãos de comunicação social que se encarregarão de fazer chegar a casa de todos os peregrinos o carinho, o calor e o conforto da nossa Mãe e Mãe de Deus, a Senhora dos Milagres, a Mulher revestida de sol, a estrela da manhã de que nos fala o livro do apocalipse.”, afirmou o sacerdote durante a leitura do comunicado que é legitimado por todos os órgãos envolvidos na festa.

“Queridos peregrinos peço-vos que, por um bem maior que é a saúde de todos, acateis as ordens e orientações da Direção Regional da Saúde. Este ano fiquemos em nossas casas e acompanhemos o novenário e a festa pela Vitec Azores TV”, apelou.

Aos que, ainda assim, se desloquem à Serreta fica a informação de que a entrada no interior do Santuário é restrita e a lotação está limitada a dois terços da sua capacidade pelo que não deverão poder estar mais de 110, 120 pessoas. Por outro lado, a entrada será monitorizada pelas equipas de acolhimento sendo estritamente obrigatório o respeito pela sinalética, o uso de máscara dentro da igreja e no adro, a salvaguarda do distanciamento social, a higienização das mãos, a etiqueta respiratória e evitar ajuntamentos e aglomerações nas zonas de entrada e saída do templo.

“Não nos iludamos: estamos em segurança, mas ela depende do civismo e da consciência de cada um de nós. Sejamos responsáveis, evitamos a propagação da pandemia por si e por todos”, disse ainda o padre João Pires.

“Que a Senhora dos Milagres interceda por todos nós junto do Pai eterno e que nos faça obedientes na construção do reino de Deus, ou seja, de uma Igreja verdadeiramente rejuvenescida, de uma Igreja em caminhada sinodal, de uma Igreja comprometida na defesa da vida humana e da nossa casa comum, promovendo o desenvolvimento sustentável e integral da sociedade”, concluiu.

“Que Maria seja para todos nós a Estrela da manhã, de uma manhã de esperança para todos os homens e mulheres de boa vontade que sonham por um mundo melhor e um mundo novo”, disse ainda.

A solenidade de Nossa Senhora dos Milagres teve origem no século XVII e está ligada a vários momentos difíceis da história do arquipélago e de Portugal, com as comunidades a virarem a sua esperança para Maria.

De modo particular destaca-se o período em que Portugal se viu envolvido na guerra entre a França e a Espanha contra Inglaterra. Numa altura em que a Ilha Terceira não tinha qualquer tipo de fortificações e estava quase indefesa,  a esperança das autoridades e das pessoas voltou-se para a intercessão de Nossa Senhora dos Milagres, cuja imagem estava colocada na igreja das Doze Ribeiras.

Ficou a promessa de que “caso a ilha não sofresse qualquer investida inimiga”, a comunidade iria promover uma festa anual em honra de Nossa Senhora, o que veio a acontecer.

A primeira celebração dedicada a Nossa Senhora dos Milagres aconteceu a 11 de setembro de 1764 mas esta devoção afirmou-se definitivamente a partir de 1842.

Se esta peregrinação começou com um pedido de intercessão ou proteção contra a guerra, hoje as orações das pessoas vão sobretudo ao encontro de dificuldades sociais como o desemprego, a doença e a crise nas famílias.

Estima-se que, ao longo destes dias, costumassem passar por este Santuário da Serreta, que há 14 anos foi elevado à condição de santuário diocesano pelo então bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, cerca de duas dezenas de milhar de peregrinos.