Pelo Pe. Hélder Miranda Alexandre

Quis o Senhor Jesus reunir à sua volta os discípulos para os instruir e preparar para que fossem e ensinassem todos os povos a Boa Notícia! O Seminário é lugar privilegiado que perpetua na história este tempo único e inesquecível do encontro com o Mestre da escola divina. “Apresenta-se como um tempo e um espaço; mas configura-se sobretudo como uma comunidade educativa em caminhada: é a comunidade promovida pelo Bispo para oferecer a quem é chamado pelo Senhor a servir como os Apóstolos, a possibilidade de reviver a experiência que o Senhor reservou aos Doze”[1].

Ocorrendo a Semana dos Seminários de 11 a 18 de Novembro, com o tema “Formar Discípulos Missionários”, é tempo e oportunidade para que a Diocese abrace o seu Seminário, num ambiente de oração, generosidade, partilha e se dê a conhecer a sua necessária existência.

As palavras de D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, são elucidativas:

O tema desta semana – «Formar discípulos missionários» – sublinha o objetivo fundamental dos seminários, apontado no mais recente documento da Congregação do Clero, (Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis): “A ideia de fundo é que os seminários possam formar discípulos missionários, “enamorados do Mestre”, pastores com o “cheiro das ovelhas”, que vivam no meio delas para servi-las e conduzi-las à misericórdia de Deus”.

Durante estes dias, o Seminário suspende as suas atividades, para que os seminaristas partam em missão, a diversas Ouvidorias e Ilhas, às escolas, catequeses, grupos de jovens, comunidades cristãs. O tempo é de saída e de missão! Contam-se ainda várias Vigílias de Oração, como aquela que inicia a semana no dia 10 de Novembro, na Igreja de Santa Luzia da Praia da Vitória, pelas 20.00, e ainda encontros de Pré-Seminário em São Miguel e Terceira. Enfim, um pouco de tudo, para que valha a pena confiar na Providência!

O desejo do Concílio de Trento da instituição de Seminários em cada Diocese tornou-se um sonho difícil de concretizar nestas Ilhas. Na verdade, a retirada da Companhia de Jesus de Portugal provocou um vazio educativo difícil de repor. Em 1791, D. Fr. José de Avé Maria recebeu a ordem da rainha D. Maria I “para que neste Bispado, houvesse eclesiásticos dignos das funções sagradas, chegando a dizer que menos mau é não haver ministros do que havê-los indignos”. Finalmente D. Fr. Estevam da Sagrada Família, 27º bispo de Angra, concretizou o sonho no dia 9 de Novembro de 1862, com festa solene em honra de N. Senhora da Guia, Padroeira da Igreja anexa ao Convento de S. Francisco de Angra[2]. “Desde então, o clero dos Açores ia-se reabilitando e nova vaga, que saía do Seminário de Angra, era bem outra”[3].

O Seminário de Angra conta este ano com 22 seminaristas: um da Ilha das Flores, um da Ilha do Faial, dois da Ilha do Pico, dois da Ilha de São Jorge, um da Ilha Terceira e quinze da Ilha de São Miguel. É oportunidade para darmos graças a Deus, mas é necessário nunca deixar o entusiasmo de pedir ao Senhor da Messe. Os tempos das colheitas abundantes de outrora já não voltam. A Igreja e o Espírito inspiram-nos a percorrer caminhos novos, difíceis, sem dúvida, mas seguramente mais aliciantes!

[1] João Paulo II, Pastores dabo vobis, 60.

[1] C. Pereira, O Seminário de Angra, 12.

[1] Mons. Júlio da Rosa, Senhor Bom Jesus de São Mateus, 73-74.