Por Renato Moura

Um sinal evidente de preocupação da Diocese na formação do povo de Deus, foi a criação, inédita, de uma Vigaria para a Formação e a nomeação de um Vigário Episcopal para a Formação. Pretender-se-á formação direcionada para leigos e clérigos. Foi também revitalizado o Instituto Católico de Cultura (ICC), um órgão com missão específica na área da cultura e da formação.

O ICC tem como objectivo promover a formação cristã, teológica e pastoral, colocando-a ao alcance de todos. Relevante o objectivo de “contribuir para a leitura crítica e interventiva da actualidade à luz da doutrina social da Igreja”. Isto abre um vasto e importante campo de acção, onde a Igreja, ao longo da história e em muitas situações e lugares, assumiu um papel primordial, que urge revitalizar e prosseguir.

A função operacional do ICC será exercida através do Centro de Formação Permanente de Docentes de E.M.R.C. e de escolas de formação das vigarias episcopais. Visa-se que a eficácia ao nível local seja atingida por escolas de formação cristã das ouvidorias, proporcionando cursos e outras acções. Anunciou-se que a formação não se destina apenas ao povo de Deus em geral, mas visa particularmente agentes da pastoral, membros de movimentos, obras de apostolado e serviços lacais, bem como candidatos a diaconado permanente ou a ministérios instituídos.

O que se visa parece o melhor. E quem teve oportunidade de ouvir a explanação do P.e Angelo Valadão, na sua qualidade de Vigário Episcopal para a Formação, no Conselho Pastoral Diocesano, pode comprovar a sua visão sensata, planeamento criterioso e empenho vigoroso, para a concretização de bons objectivos.  Mas é certo que o sucesso depende sempre das pessoas a quem serão confiadas as responsabilidades de gestão, organização e orientação das acções, aos vários níveis. Sabemos que há ouvidorias com poucos recursos humanos e materiais, que haverá ouvidores muito centralizadores, apesar de lhes minguar tempo para apertar tudo o que agarram.

Manifestamente que formar, para além da parte religiosa, implica ensinar a pensar e interpretar, a raciocinar e avaliar, a sociabilizar e comunicar. Exige dotar com honestidade e integridade. Envolve munir de liderança, mas também de flexibilidade.

Sempre a formação terá de redundar em capacitação. E esta não se limita à posse de conhecimentos, mas gera auto-confiança e autonomia, aptidão para enfrentar situações funcionais, capacidade de adaptação e de trabalho em equipa.

Só a capacitação permite humanizar, resolver problemas e alcançar metas.