As seis fraternidades vã eleger este sábado o novo governo da província

A Província dos Açores da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC) vai eleger este sábado o novo governo provincial, com a presença da Superiora Geral da Congregação, Irmã Maria da Conceição. O Capítulo eletivo vai escolher a nova Superiora Provincial e as quatro conselheiras, que cumprirão um mandato de seis e três anos respetivamente, sendo que no caso da Superiora Provincial o mandato de seis anos pode ser prorrogado por mais três e o das conselheiras por mais seis. Atualmente a província dos Açores da CONFHIC é liderada pela Irmã Noémia Alves. Neste Capítulo estão presentes duas dirigentes de fora da província- a Superiora Geral e uma Conselheira da Província de Portugal, a Irmã Elisa- que, juntamente com o Governo Provincial da congregação realizaram uma visita canónica às seis fraternidades existentes nos Açores. Esta semana, desde quarta feira, decorreu a reunião da Assembleia Provincial destinada a aprofundar a identidade Franciscana Hospitaleira. “É uma busca muito importante porque temos sempre de saber qual é o nosso rosto: somos mulheres consagradas, franciscanas com o viés da hospitalidade numa congregação que é dedicada à Imaculada Conceição” sublinha a Superiora Geral, Irmã Maria da Conceição, ao Sítio Igreja Açores. “Trata-se de um exercício fundamental porque é desta identidade que depende a nossa postura, o nosso serviço à comunidade humana dentro do que é a fisionomia espiritual da nossa congregação”, destaca ainda. A CONFHIC está presente nos Açores desde 1929, possui seis fraternidades, com um total de 56 religiosas. É, de resto, a única congregação que possui um governo provincial na Diocese de Angra e é a comunidade mais expressiva, estando presente em cinco ilhas, com atividades diversas desde a educação (Colégio de Santa Clara, por exemplo), à assistência aos idosos (São Jorge) ou ao acolhimento de crianças com diversos tipos de problemáticas (São Miguel e Pico) ou, ainda, à oração (Faial). “Esta é a especificidade do nosso Carisma que é responder de acordo com as necessidades da comunidade humana onde estamos inseridas”, lembra a Irmã Maria da Conceição que explica desta forma o “sucesso” e a “cumplicidade” da Congregação em todas as comunidades onde se insere. “Creio que há um traço de proximidade que nos torna diferentes… o Papa Francisco diz-nos isso. Pela força do carisma da hospitalidade as nossas irmãs são próximas, estão muito envolvidas na comunidade e esta proximidade ajuda muito a promover um verdadeiro encontro … nosso com a comunidade e da comunidade connosco”. A viverem, tal como todas as outras congregações, o desafio imposto pelos constrangimentos próprios de uma época de vocações “escassas”, sobretudo na Europa, devido “à destruturação da família”, “à baixa natalidade” e à “falta de valores” e, “se calhar até de conhecimento da beleza desta vocação”, as Franciscanas Hospitaleiras tentam “aprofundar a sua identidade”. Em pleno Ano da Vida Consagrada “este é um desafio”, reconhece a Superiora Provincial, Irmã Noémia Alves. Os Açores que em tempos já foram “um viveiro de vocações contribuindo para a nossa e para outras congregações” há 13 anos que não “enviam” ninguém para a CONFHIC. “É a fatura por estarmos a viver em ilhas, onde os jovens saem de casa e depois perdem muitas das referências, sobretudo aqueles que nós acompanhámos até ao final do secundário”, sublinha. Talvez por isso, a Conselheira Provincial do Governo do Continente, onde a CONFHIC possui 35 fraternidades, fora as do continente africano que superintende, passe pelo investimento na pastoral universitária. “Deveríamos olhar muito atentamente para essa realidade. Esses jovens já são mais velhos, mais maduros e poderão fazer uma escolha mais arrojada” disse ao Sítio Igreja Açores a Irmã Elisa. É também “uma forma de adequarmos a nossa ação á realidade que está sempre a evoluir”, remata a Superiora Geral. A CONFHIC foi fundada em Portugal a 3 de maio de 1871, pelo Pe Raimundo dos Anjos Beirão e pela Madre Maria Clara do Menino Jesus e surgiu “como resposta evangélica às inúmeras carências com que se debatia o povo português em meados do séc. XIX, tendo como fim específico tornar visível no mundo a Misericórdia divina, através da Hospitalidade, encarada como acolhimento dinâmico, servindo a humanidade sofredora, de preferência os mais pobres, e exercendo para com eles as obras de misericórdia”, diz a página da Congregação. Seguindo o lema dos Fundadores “Onde houver o Bem a fazer, que se faça”, a Congregação exerce a sua missão nos sectores de educação, saúde, assistência a crianças e idosos, promoção social, evangelização directa e Missões “ad Gentes”. Atualmente conta com 528 religiosas, 56 das quais nos Açores, onde está presente desde Março de 1929.