“Casa Amarela” é o desafio desta obra social da Diocese de Angra

Dar um novo rumo à “Casa Amarela”, nomeadamente “adaptando-a às necessidades dos tempos atuais”, constitui um dos principais desafios da Fundação Pia Diocesana  Obra de Socorro de Nossa Senhora das Mercês, situada nas Calhetas, na ilha de São Miguel, que este ano assinala 40 anos de existência enquanto obra social sob a alçada da Diocese de Angra.

“Têm sido equacionadas várias soluções para este espaço que era importante recuperar- até porque é emblemático, pois foi aqui que tudo começou- desde a criação de uma creche, com várias valências incluindo um centro de dia para idosos, mas até à data ainda não foi possível concretizar qualquer ideia” disse ao Sítio Igreja Açores o presidente da Fundação, António Pedro Costa, que sublinha a importância de haver “parceiros para o projeto”.

A “Casa Amarela” situada nas Calhetas, no concelho da Ribeira Grande é a casa mãe desta obra social iniciada em meados da década de 50 pelo casal de benfeitores António Medeiros Frazão e Leonor Silveira, que acolheram “prontamente e de forma entusiástica o sonho da professora Maria Francisca Vasconcelos que queria dar mais educação e condições às meninas pobres desta zona”, sublinhou o responsável pela Fundação.

Construída de raíz para servir de escola, a Casa Amarela acolhia diariamente raparigas “de parcos recursos” a quem se ensinava a ler, a bordar ou as lides domésticas.

“Elas passavam o dia nesta `escola´ onde aprendiam e ao mesmo tempo se alimentavam e eram cuidadas, numa obra sem precedentes para a altura, com um enorme alcance social”, frisa ainda o dirigente.

Todo o financiamento da Obra,  que também acolhia idosos, bem como do seu pessoal, era assegurado pelo casal que depois a cedeu à Diocese, no tempo do Bispo D. Manuel Afonso Carvalho que “inaugurou o novo edifício com a presença do Governador civil numa festa enorme para esta freguesia”, lembra, ainda António Pedro Costa.

Em 1975 é criada a Fundação Obra de Socorro de Nossa Senhora das Mercês, já durante o episcopado de D. Aurélio Granada Escudeiro que além da casa geria ainda o património deixado por este casal: o Bairro Dr Frazão, na cidade de Ponta Delgada, de casas modestas de renda económica, doado à Matriz de Ponta Delgada, bem como terrenos variados nas zonas da Bretanha e da Lagoa. Aliás é das rendas desse chã, espalhado pela ilha, que a Fundação sobrevive economicamente, desenvolvendo uma ação social no terreno, sobretudo na zona das Calhetas e de Rabo de Peixe.

Atualmente apoia de forma regular cerca de 20 famílias para além do apoio financeiro a idosos, para a compra de medicamentos, do apoio a sacerdotes com dificuldades e às irmâs Missionárias da Caridade que desenvolvem trabalho específico nestas duas freguesias, do concelho da Ribeira Grande. A Fundação de Nossa Senhora das Mercês apoia, ainda, a Obra de Maria e as Irmãs Clarissas que vivem no Convento que era propriedade dos benfeitores Frazão e Silveira.

“O importante é nós honrarmos aqueles que foram os desígnios dos fundadores desta obra social e por isso gostaríamos de fazer mais ainda do que fazemos”, diz António Pedro Costa lembrando que há, no entanto, “alguns problemas de natureza legal, que se prendem com a lei canónica que nos impedem de desbloquear algumas situações”.

Por isso, a “nossa grande prioridade é voltarmos para o terreno,  para a ação concreta e menos burocrática que tem constituído uma prioridade porque havia situações matriciais que não estavam totalmente claras”, destaca o dirigente.

Em causa estão terrenos onde foram construídas casas, cujo chão é pertença da Fundação e as benfeitorias dos proprietários que gostariam de o adquirir e “é nisso que temos estado a trabalhar”, em ordem a regularizar todas as situações prediais.

“Esta fundação teve um papel muito importante no passado e nós não podemos enjeitar essa responsabilidade agora. Por isso estamos a trabalhar para agilizar o nosso desempenho”, garantiu ainda António Pedro Costa.

A Fundação Pia Diocesana Obra de Socorro de Nossa Senhora das Mercês é uma das três fundações que integram a diocese – a Fundação Pia Diocesana Clinica do Bom Jesus, em Ponta Delgada e a Fundação Maria Isabel Carmo Medeiros, na Povoação-.