Declaração conjunta apela a «cultura de paz e esperança», com diálogo entre religiões

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (Santa Sé) e quatro imãs franceses lançaram uma declaração conjunta em que condenam a violência fundamentalista, após o atentado de Paris contra o ‘Charlie Hebdo’.

Os responsáveis, que foram recebidos pelo Papa Francisco esta quarta-feira, horas antes do ataque no jornal francês, mostram-se “chocados” com a violência que provocou 12 mortes, entre jornalistas e políticas, e dezenas de feridos.

“Convidamos os crentes a manifestar a sua solidariedade humana e espiritual, pela amizade e a sua oração, a todas as vítimas e às suas famílias”, assinala o texto, assinado pelo cardeal francês D. Jean Louis-Tauran e a delegação inter-religiosa gaulesa, com representantes católicos e muçulmanos.

O texto sublinha que “sem a liberdade de expressão, o mundo está em perigo” e que os responsáveis de todas as religiões são chamados a “promover cada vez mais uma cultura de paz e de esperança, capaz de vencer o medo e de construir pontes entre os homens”.

A declaração conjunta recorda ainda a responsabilidade dos media, convidando os jornalistas a “oferecerem uma informação que respeite as religiões, os seus crentes e as suas práticas, favorecendo assim uma cultura do encontro”.

“O diálogo inter-religioso continua a ser o único caminho a percorrer em conjunto para dissipar os preconceitos”, conclui o documento.

Em França, representantes das várias comunidades religiosas manifestaram a sua condenação pelo atentado à redação do semanário ‘Charlie Hebdo’, ao serem recebidos no Eliseu pelo presidente gaulês, François Hollande.

O pastor François Clavairoly, presidente da Federação protestante da França, leu um comunicado em nome de todos no qual os representantes religiosos se associam ao sentimento de “revolta” moral diante “deste ato atroz” que “não pode ter justificação em religião alguma”.

Um dos alegados autores já se entregou às autoridades e os outros dois suspeitos, irmãos, estão cercados pela polícia.

CR/Ecclesia