O templo que tem como orago principal Nossa Senhora do Carmo, e não está habitualmente aberto ao culto, foi sede do Tribunal da Relação dos Açores, que já foi extinto

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ponta Delgada, abre as suas portas ao público, à semelhança dos anos anteriores, no dia da Festa de Nossa Senhora do Carmo, sua padroeira, no próximo dia 16 de julho, a partir das 9h00, celebrando-se uma eucaristia às 12h00.

O templo estará aberto a todos os fieis até ao fim da tarde, podendo ser apreciado o som do Órgão de Armário, datado de 1794, construído por Joaquim António Peres Fontanes e restaurado em 1989 por Dinarte Machado.

Datada do século XVIII, a Igreja possui uma fachada em estilo barroco com três portais, sendo o seu interior de nave única com teto de abóbada pintado. O retábulo do altar-mor e laterais são de talha policromada e na capela-mor está ainda representado o brasão de armas dos Albuquerques.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo está classificada como imóvel de interesse público desde 28 de Julho de 1981 (Resolução n.º 58/81, publicada em Jornal Oficial).

Esta Igreja pertenceu ao antigo convento de Nossa Senhora da Conceição, fundado na segunda metade século XVII, pela família Andrade de Albuquerque. Este foi o quarto e último convento de freiras instituído em Ponta Delgada. Chaves e Melo refere que o Convento da Conceição no ano de 1723 tinha 44 freiras e 15 servas, pupilas e noviças e dispunha de considerável riqueza. Chamavam às feiras deste convento Comendadeiras de Nossa Senhora da Conceição.

Desde a extinção das ordens religiosas no séc. XIX, o convento sofreu muitas obras de remodelação com o objetivo de ali instalar serviços públicos: Quartel-general da 10.ª Divisão Militar, Polícia, Governo Civil, Junta Geral do Distrito e Junta Regional. Nos lugares onde existiam os coros alto e baixo, estiveram instalados os antigos Tribunal da Relação dos Açores e o Tribunal Judicial da Comarca.

A solenidade de Nossa Senhora do Carmo é liturgicamente muito importante, reportando-nos ao Monte Carmelo, situado na Galileia, lugar de oração e de uma profunda experiência de fé do profeta Elias.
Carmelo” significa: vinha (carmo) do Senhor (elo). Nesse monte, sucederam-se várias gerações de eremitas, até se organizar a Ordem dos Carmelitas, que pretende cultivar e fazer frutificar a vinha do Senhor, através da contemplação e da oração, sob o patrocínio de Nossa Senhora.

No séc. XII, aquando das perseguições na Terra Santa, os Carmelitas refugiam-se na Inglaterra, onde se fixam e têm como superior Simão StocK.

No meio das dificuldades por que passava a ordem, S. Simão pede a Nossa Senhora um sinal especial de proteção. Nossa Senhora deu-lhe o escapulário, sinal de proteção contra os perigos e penhor de salvação.

Também na Horta, ilha do Faial  e em Angra, na Terceira,  na Igreja do Colégio, habitualmente, costuma ser assinalada esta festa com procissões pelas principais artérias das cidades.