Focolares organizam momento de unidade pelo décimo ano consecutivo

O gesto ecuménico que se assinalou este domingo deveria ser “o mote para a construção de um rio de água viva” disse esta tarde o pastor Carlos Rosa, da Igreja Presbiteriana em Ponta Delgada, no momento do acolhimento na celebração ecuménica promovida conjuntamente pelo movimento dos Focolares e diocese de Angra, em Ponta Delgada.

A celebração ecuménica que juntou as duas igrejas cristãs pretendeu assinalar o encerramento do Oitavário da Oração pela Unidade dos Cristãos que se comemora entre 18 e 25 de janeiro e que este ano teve como tema “Dá-me de beber”.

“Esperamos que haja a verdadeira unidade nas nossas diferenças e na diversidade e esta celebração de hoje é uma oportunidade para tomarmos consciência de que o importante é o que nos une: Cristo e a sua mensagem”, disse ao Sítio Igreja Açores o Vigário Episcopal para a ilha de São Miguel, Pe Cipriano Pacheco.

“Julgo que este é o trabalho que nos falta fazer que é tomarmos consciência de que somos capazes de nos centrar naquilo que é fundamental, contribuindo para que haja um melhor conhecimento e uma consciência mutua, o que infelizmente não tem sido muito trabalhado nas nossas comunidades”, diz ainda o Pe Cipriano Pacheco.

“O diálogo é fonte de riqueza e permite-nos ter uma maior percepção do outro e isso é fundamental”, conclui o sacerdote.

A celebração ecuménica deste domingo contou com a presença de fieis das duas igrejas, à semelhança do que tem acontecido noutros anos.

“Já participaram elementos das Igrejas Adventista e Baptista mas o facto da nossa convivência ser muito pacífica e das comunidades dessas igrejas serem muito pequenas ás vezes causa dificuldades que só poderão ser ultrapassadas se houver capacidade de risco por parte de todos” disse ao Sítio Igreja Açores a responsável pelo Movimento dos Focolares, Maria José Amaral.

Este movimento, que tem no arquipélago uma expressão mais significativa em São Miguel, embora esteja presente em todas as ilhas, tem um “timbre ecuménico” e o seu lema é “todos serem um”.

A celebração começou com o acolhimento pelo pastor Carlos Rosa, seguiu-se um cântico, uma oração, novo cântico, Alelulia e depois, uma dramatização do Evangelho a partir do diálogo entre Jesus e a Samaritana.

Os dois oficiantes partilharam a palavra, fez-se silêncio na assembleia e entoou-se  um novo cântico, renovação de promessas de batismo, um novo cântico e 5 orações de intercessão. Finalmente, rezou-se o Pai nosso e fez-se a oração final, escolhida para este dia.

Para o Pastor Carlos Rosa esta celebração foi “uma enorme responsabilidade”, no sentido em que “nos tempos difíceis que vivemos, com lutas e incertezas, sermos capazes de unir a nossa voz para fazer ouvir a boa notícia do Evangelho, transmitindo valores à sociedade é um grande desafio”.

Em declarações ao Sítio Igreja Açores, o responsável pela Igreja Presbiteriana em Ponta Delgada (existe outro lugar de culto na Lagoa e, ainda um terceiro, na Lomba de São Pedro, embora este último neste momento não tenha pastor) sublinha que esta unidade “é imprescindível” apesar das “diferenças teológicas e litúrgicas” com a Igreja Católica serem grandes, “há uma coisa que nos une e isso tem de ser sempre mais forte”. Atualmente esta Igreja tem cerca de 250 fieis na ilha de São Miguel.

A celebração ecuménica terminou com um convívio.